Arquivo | julho, 2010

Videoteca: Suhaila Salimpour (interpretação)

30 jul


A videoteca de hoje foi inspirada pelos comentários das nossas leitoras, que pediram para falarmos de tribal e da Suhaila Salimpour! Você também pode mandar a sua sugestão pelo twitter, e-mail (cadernosdedanca@gmail.com) ou pelos comentários.

Suhaila é filha de Jamila Salimpour, criadora da Bal Anat, a primeira companhia de dança tribal dos Estados Unidos. Suhaila, que esteve pela primeira vez no Brasil ministrando workshops em maio de 2010, absorveu essa influência materna em suas apresentações. Incorporou, por exemplo, um interessante trabalho com os braços. Além disso, estudar esta bailarina é interessante para lembrar a importância do treino da interpretação na dança do ventre. As egípcias, como Mona Said e Dina (em breve no Cadernos), são as que mais exploram esta característica, afinal conhecem as letras das músicas e podem expressar sentimentos comuns aos versos cantados pelo intérprete.

Enquanto os posts sobre tribal saem do forno, assista ao vídeo selecionado e repare como ela utiliza braços altos e serpenteados, semelhante aos do tribal. Veja como Suhaila faz variações de interpretações entre sorrisos e feições mais sérias. Cabe a você conhecer estas bailarinas, tentar conhecer um pouco das letras das músicas e dosar a interpretação para não ficar exagerada. Gostou dela? Acesse nosso canal no youtube e veja ela dançando um derbake.

Veja + Videoteca
Sadie (dissociação corporal)
Amir Thaleb (homens na dança do ventre)
Sonia (derbake)
Romina (improvisação)
O que destacar da música na hora de dançar
Saida (baladi)
Coreografia em grupo
Jillina (pop)

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Samia Gamal

29 jul

“Se há alguma coisa que podemos aprender com Samia Gamal, é a “arte do flirt” durante a dança”, afirma Lulu Sabongi. Se você passar algumas horas pesquisando vídeos da bailarina egípcia com certeza reconhecerá esta característica. Zainab Ibrahim Mahfuz nasceu no vilarejo de Wana, em 1924. Assim como outras bailarinas, mudou-se para o Cairo e, anos mais tarde, foi convidada para participar da casa de Badia Masabni. Lá, teve aulas com Jacque, uma professora muito importante e famosa.

Recebeu formação em jazz, ballet, dança contemporânea, moderna e, claro, na dança do ventre. Nesta época, conheceu Tahia Carioca, já conhecida no Egito, e daí surgiu uma amizade que duraria a vida toda. Da companheira profissional incorporou giros e deslocamentos do balé, além da influência da dança e música latina. Foi Badia quem a batizou de Samia Gamal.

Mitos e verdades
Samia Gamal é charmosa. O motivo? Está ali em cima, na primeira frase. A bailarina egípcia é famosa pelo olhar sensual, expressivo e penetrante. Não é à toa que no filme “Zannoubia”, o personagem fica completamente hipnotizado por sua dança. Os efeitos especiais da cena só enfatizam a característica. Não faz movimentos exagerados e grandes, faz arabesques e giros. Diferente de outras bailarinas egípcias, utiliza muito os braços.

Hossam Hamzy conta, em um artigo muito interessante sobre a bailarina (em inglês), que ela introduziu o hábito de dançar descalça, antes dela era normal utilizar saltos em espetáculos. Na verdade, tudo começou quando um dos seus sapatos saiu do pé, ou quebrou o salto durante uma apresentação. Ela logo se desvencilhou do outro e continuou com graça, sendo muito aplaudida pela plateia. Dizem que o último rei egípcio, Farouk, afirmou que Samia era a “Bailarina Nacional do Egito”, mas o músico Hossam afirma que a história não passa de um mito e que o rei nunca proclamou publicamente um gosto especial por uma das bailarinas. Afirma-se que Samia utilizava muito o véu em sua dança. Aparentemente, é resultado do treinamento que recebeu da professora Jacque, que usava o acessório para forçar a aluna a melhorar o trabalho com os braços.

Carreira no cinema
Assim como Tahia Carioca, também estrelou diversos filmes (cerca de 80, até o final de sua carreira). O primeiro foi “Gawhara” (1942), quando ela ainda tinha apenas 18 anos. O mais conhecido internacionalmente foi “Ali Baba e os quarenta ladrões” (1954), do diretor francês Jacques Becker. No cinema conheceu o ator e cantor Farid Al Attach, com o qual teve um romance.

Na década de 50, mudou-se para os EUA e foi uma das bailarinas pioneiras na América do Norte. Sua dança influenciou filmes e apresentações musicais nas terras norte-americanas. Quando estava com aproximadamente 50 anos afastou- se da dança, mas a aposentadoria não durou muito. Logo voltou a se apresentar e só parou definitivamente aproximadamente dez anos depois. Ela faleceu em 1994, aos 70 anos.

Algumas músicas usadas pela bailarina em apresentações e filmes foram: Zeina, Zenuba, Raqsat Kahramana (AfritaHanem), Al-Rabia, Habibi Lazmar e Ana Alli Wa Utilu. A música Zeina, do vídeo acima, foi composta por Mohamed Abdel Wahab, e tem como base dois ritmos: o Ayub e o Masmoudi. Gostou de Samia Gamal? Acesse esta lista de vídeos do Youtube e aproveite para conhecer melhor a bailarina.

Veja + Bailarinas
Amar Gamal
Tahia Carioca
Jillina
Fifi Abdo, a menina baladi
Petite Jamilla
Soraia Zaied

Véu duplo

28 jul

Já vimos aqui no Cadernos como surgiu o véu usado na dança do ventre. Agora queremos falar de uma inovação: os dois véus.

Não há registros de quem inseriu mais um véu como acessório, mas o que sabemos é que dançar com eles exige mais prática. O que podemos fazer?

Os movimentos são mais trabalhados. Por exemplo, você pode fazer um véu tenda com um na frente do seu corpo e outro atrás. Assim, você brinca com ele com giros e ondulações, ora desvendando, ora escondendo o corpo.

Eis uma ótima oportunidade para deixar só os olhos à vista, aumentando ainda mais o mistério. Para fazer isso é simples: com os braços abertos, segure os dois véus esticados com as duas mãos. Fique entre eles e coloque o de trás por cima da cabeça e o da frente bem embaixo dos olhos. Brinque com o esconde-esconde.

Outra opção é fazer giros entrando e saindo dos véus com o movimento tufão.  Por exemplo,  fique no meio dos véus. Quando você está de frente para o público, você está dentro deles, escondida. Ao girar, passe um dos braços por dentro do véu e gire para trás. Assim, você sai dele. Se tiver bastante habilidade, pode brincar coma  velocidade do movimento.  Se preferir um giro mais simples, segure um véu em cada mão e faça o helicóptero (Petite Jamilla faz muito isso), ou um giro normal com os braços levantados ou abaixados.

Se quiser soltar um dos véus durante a apresentação também vale. Fica lindo. São apenas algumas dicas, mas o que importa é a sua criatividade e domínio das técnicas para fazer bonito.  Os mais usados são os véus de seda, pois são mais leves e você não sentirá tanta dor nos braços e, de quebra, os movimentos saem mais suaves e charmosos. Outra opção são os de musselini.

A música pode ser tanto clássica, quanto moderna, tudo vai depender do seu estilo. Assista ao vídeo de Taty Ribeiro,  de Goiânia, dançando  com os dois véus.

Véu duplo em grupo – V mostra cearense de dança do ventre

Veja + Acessórios de dança
Espada
Dança do pandeiro
A delicadeza das tacinhas
Dança do Jarro
Bengala ou bastão
Os snujs
Véu

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