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Lucy

24 mar


É muito difícil encontrar informações sobre esta bailarina egípcia, que até hoje faz apresentações no Cabaré Parisiana, casa de propriedade do seu marido, no Cairo. Nasceu em uma família humilde e ficou famosa pela dança e por sua carreira de atriz de cinema e televisão.
Era muito elegante, com movimentos controlados e técnica bem desenvolvida, influência das aulas de balé clássico que fazia na infância.
Em entrevistas, ela afirma que quando conheceu Naima Akef, Samia Gamal e Tahia Carioca, descobriu que a dança ia muito além do que ela imaginava.

 

Foi amarrando um pedaço de tecido em torno do quadril que ela iniciou seu trajeto na dança do ventre. Repare como ela usa os braços e postura alongada, com muitos arabesques. Os movimentos são curtinhos e suaves, independente de serem tremidinhos ou batidas. Falando em shimmies, assista esta apresentação da bailarina e note como são delicados.


Lucy também representou parte da cultura egípcia no documentário Cairo Unveiled, exibido pela National Geographic, em 1996. Veja um trecho aqui.

Badia Masabni

10 fev

Ela já apareceu aqui no Cadernos diversas vezes, quase sempre é lembrada por sua casa de espetáculos. Mas afinal, ela é apenas uma proprietária de um estabelecimento? Como foi a sua vida até chegar lá? Seu nome é Badia Masabni, bailarina das antigas, nasceu no final do século XIX.

Infância e juventude
Sua história é bem diferente do conto de fadas que costuma ser a vida das bailarinas que conhecemos. Diz-se que aos sete anos ela sofreu um abuso sexual e o culpado, apesar de preso, logo estava de volta às ruas. Envergonhada, a família mudou-se para a Argentina, onde viveram até a adolescência de Badia. Foi a melhor época de sua vida, pois descobriu a paixão pela dança, atuação e canto.

Carreira
Voltou para a Síria, mas a carreira começou a andar mesmo no Cairo, com pequenos papeis que pegava. Em 1914, começou a trabalhar com Madame Jeanette, em Beirute, e lá aprendeu a dançar e a cantar em árabe. Em 1921, tornou-se a estrela do estúdio do diretor Nagib El Righany, com quem teve um relacionamento e ficou casada durante um período curto. O famoso Cassino Badia foi aberto em 1926. Ela teve problemas financeiros ao tentar investir em um filme e decidiu fazer uma turnê com o seu grupo. A jovem Tahia Carioca fez essa viagem. Depois de algum esforço e empréstimos abriu o Cassino Opera, em 1940.

Lançando estrelas
Até essa época, as apresentações de dança eram feitas em lugares pequenos e com a criação da casa, precisou de adaptação para palco e as bailarinas começaram a usar sapatos de salto. Neste época foram incorporados alguns movimentos do balé, como as caminhadas, arabesques e giros. A casa de Badia foi cenário para centenas de filmes. Lá ela também reconheceu e aflorou o talento de muitos músicos, cantores e meninas que viraram estrelas: Naima Akef, Nadia Gamal, Samia Gamal e Tahia Carioca.

Ela faleceu em 1975, no Líbano, suicidando-se após uma depressão profunda. Ficou muito querida no Egito, mas não é para menos, afinal ela realmente revolucionou diversos aspectos da dança e da música.

Outra inovação foi inserir nas orquestras árabes os instrumentos populares, misturando-os aos clássicos. Assim, violinos, alaúdes e outros passaram a acompanhar o derbake, riqq, daff entre outros. Como efeito, os ritmos alteraram-se levemente e as músicas começaram a ter taqsins, típicos da cultura turca. Acha que é só isso?

Sabe as ondulações de braço e a postura padrão de mantê-los na altura do tronco? Pois é, ideias de Badia. O uso do véu como um acessório também veio dessa época. Como a dança foi adaptada para palcos, era necessário incrementar a apresentação para quem estivesse mais longe.

Demais, né? No Youtube tem um vídeo com um resuminho da história dela e, de quebra, um pouco sobre ritmos.

Veja + Bailarinas aqui

Videoteca: Dalila, Aida e Lulu (uma música, várias interpretações)

4 fev

A coisa mais comum na dança do ventre é ver as mesmas músicas repetindo-se em uma, duas, três…mil apresentações. Mas isso não é de todo mal, certo? É claro que inovar é sempre muito bacana, mas mesmo quando a música é igual a performance muda sempre.

Isso fica ainda mais evidente quando as bailarinas possuem estilos diferentes de interpretação. Para falar sobre este tema, vamos fazer um exercício hoje. Selecionamos bailarinas qualificadas e famosas em “Ana Bastanak”, uma das canções mais repetidas e usadas.

Dalila, do Cairo, faz marcações intensas, porém contidas, principalmente no quadril. Aproveita bastante os floreados da música para marcar com shimies ou twists. Faz transições grandes de uma lateral para a outra. Sente e interpreta a música cantando.

A russa Aida Bogomolova, por sua vez, opta por mais deslocamentos, com giros e variações de planos (baixo, médio e alto). Usa mais ondulações, o quadril é mais marcado e grande.

Já Lulu Sabongi opta por uma atuação intermediária entre as duas anteriores que citamos. Note como ela explora muitos tremidos e começa a música com uma interpretação mais interiorizada. Em seguida, abre a postura e o sorriso, desloca-se e faz passos mais modernos, incorporados do balé, como arabesques. Assim como Aida, ela se movimenta bastante no palco e usa o plano médio com pivô, mas suas marcações de quadril lembram mais as da egípcia.

Este é um exercício bastante divertido de fazer e vamos voltar a repeti-lo por aqui. E é fundamental para nós, que ainda somos alunas, criarmos o nosso próprio estilo. E você, com qual das três mais se identifica?

Veja + Videoteca aqui

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