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Oum Kalthoum

24 fev

A revolução no Egito foi pauta para os jornais nas últimas semanas. Hoje vamos conhecer uma pessoa importante para a dança do ventre e que também se envolvia nas questões políticas do seu país.

Quem nunca ouviu as diversas versões de Inta Omri, primeira composição de Mohammed Abdel Wahab para Oum e a estreia com guitarras elétricas, e outros grandes clássicos da música egípcia na voz da grande diva Oum Kalthoum? Pois é, bailarinas também tem que conhecer os intérpretes dessas famosas canções.

Oum Kalthoum nasceu em uma vila rural do delta do Nilo conhecida como Tamayet-el-Zahayra, entre 1898 e 1904, a data é imprecisa. Ainda era muito pequena quando entrou em uma escola religiosa e lá aprendeu a memorizar o Alcorão (Qur’na) e a falar árabe perfeitamente. Nesta época, seu pai e alguns familiares faziam apresentações de canto em casamentos e festas. De tanto ouvi-los, aprendeu a cantar e, em pouco tempo, já cobria ausências no coral cujo repertório era de músicas religiosas e citações do livro. Aos oito anos, impressionava plateias e foi convidada para cantar nas cidades vizinhas.

Em meados de 1920, Oum fez sua primeira apresentação no Cairo, mas elas ficaram mais frequentes e a família precisou mudar-se para lá. Oito anos depois, cantava em teatros e casas de espetáculos músicas compostas especialmente para ela.

Durante sua carreira, passou por diversas fases, ora inspiradas pelos músicos e compositores que conhecia, ora pela situação sócio-política do Egito. Nos anos 1930, cantava letras de amor e tinha um programa no rádio nas noites de quinta-feira. Em 1935, estreou no cinema e fez cinco filmes como cantora e um como atriz. A década de 40 ficou conhecida como “A era de ouro de Oum Kalthoum” e marcada com set lists de músicas que elogiava as classes trabalhadoras. Quem morava no Egito ouvia comumente: “quer aprender árabe, então ouça Oum Kalthoum” ou “ela ensina poesia para as massas.” Nos anos 1950 e 1960 priorizou as músicas nacionais e de compositores e letristas novos, como Muhammad ‘Abd AL-Wahhab e Riyad El-Sombati. Com a expansão as redes de televisão, Oum ficou ainda mais conhecida.

Uma particularidade dela é que ela gostava de observar a plateia antes de entrar no espetáculo, pois assim decidia como faria a interpretação naquela noite, como se o público a inspirasse, passando energias. Suas apresentações também tinham outra peculiaridade: em geral, eram escolhidas apenas duas ou três músicas que podiam durar até quatro horas. Oum foi realmente uma grande diva e recebeu centenas de músicas escritas especialmente para ela por compositores e letristas como Ahmad Rami, que escreveu 137 canções.

Características:
– Flexibilidade vocal e pronúncia perfeita;
– Tocava instrumentos e tinha noções de composição;
– Explorava macams e macamats;
– Contralto, tinha uma voz tão potente que precisava cantar longe dos microfones para não estourar o som.

Breve histórico da dança do ventre no Brasil

31 maio

Nós, alunas, nem sempre conhecemos o trajeto da dança em terras brasileiras. Por isso, nada melhor do que lembrar de alguns fatos e pessoas fundamentais para escrever esta história. A dança do ventre foi trazida para cá no final do século XIX pelos árabes, originários principalmente da Síria e do Líbano. A partir de 1950, uma nova leva de imigrantes veio para o Brasil, fugidos das guerras civis que assolavam seus países de origem. Muitos se concentraram em São Paulo, enquanto uma parte foi para a região Norte ou para a Sul.

Em meados dos anos 70, restaurantes frequentados principalmente por pessoas da colônia, como o Porta Aberta, Semíramis, Bier Maza, e o Clube Homs- todos em São Paulo- começaram a ter apresentações. Em geral, as bailarinas dançavam com um pequeno grupo de instrumentistas de alaúde, daff e derbake. Depois, o violino e o mejwiz (instrumento composto de duas flautas de bambu interligadas) foram adicionados às bandas que tocavam ao vivo.

Parte da repercussão da música árabe em terras brasileiras ocorreu com o grupo de Wadih Cury, pioneiro no uso do alaúde por aqui. Também colaboraram Fuad Haidamus, ágil no derbake e no daff, e Nabil Nagi, apesar de também tocar alaúde foi um dos primeiros a usar violinos nas canções tocadas aqui. Nesta época, eram as bailarinas Shahrazad (no vídeo acima), Samira Samia, Rita, Selma, Mileidy, Zeina e Zuleika Pinho, que acompanhavam os músicos nas apresentações. Suas biografias rendem boas notas aqui para o Cadernos de Dança…

Em 1982, Jorge Sabongi abriu a Khan El Khalili, que existe até hoje, no bairro da Aclimação, em São Paulo. Dois anos depois, a casa de chá já tinha apresentações e logo estava oferecendo aulas e materiais de estudo da dança, colaborando com a sua popularização. O principal destaque da casa foi a bailarina e professora Lulu Sabongi, uma das primeiras a produzir vídeos didáticos – fundamentais para todas nós, alunas e professoras, desenvolvermos nossas técnicas. Outra família que colaborou com a difusão da música e da dança foi a dos Mouzayek, que tocava nas apresentações, gravava músicas e levam, até hoje, a Casa Árabe, loja com artigos de dança no centro da capital paulista. Hoje, o principal destaque da família é o cantor Tony Mouzayek e banda, que faz sucesso no Brasil e no exterior.

Nos anos 90, a dança já estava bem difundida e surgiram cada vez mais escolas, como a rede de escolas Luxor e eventos como o Mercado Persa, criado por Samira Samia (aquela mesma que dançava nos restaurantes) e organizado por sua filha Shalimar Mattar, é visitado anualmente por aulas e professoras de diversos estados. Neste percurso, a dança passou por transformações e adaptações, adquirindo novas técnicas e estilos.

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