Tag Archives: Brasil

Videoteca: Dalila, Aida e Lulu (uma música, várias interpretações)

4 fev

A coisa mais comum na dança do ventre é ver as mesmas músicas repetindo-se em uma, duas, três…mil apresentações. Mas isso não é de todo mal, certo? É claro que inovar é sempre muito bacana, mas mesmo quando a música é igual a performance muda sempre.

Isso fica ainda mais evidente quando as bailarinas possuem estilos diferentes de interpretação. Para falar sobre este tema, vamos fazer um exercício hoje. Selecionamos bailarinas qualificadas e famosas em “Ana Bastanak”, uma das canções mais repetidas e usadas.

Dalila, do Cairo, faz marcações intensas, porém contidas, principalmente no quadril. Aproveita bastante os floreados da música para marcar com shimies ou twists. Faz transições grandes de uma lateral para a outra. Sente e interpreta a música cantando.

A russa Aida Bogomolova, por sua vez, opta por mais deslocamentos, com giros e variações de planos (baixo, médio e alto). Usa mais ondulações, o quadril é mais marcado e grande.

Já Lulu Sabongi opta por uma atuação intermediária entre as duas anteriores que citamos. Note como ela explora muitos tremidos e começa a música com uma interpretação mais interiorizada. Em seguida, abre a postura e o sorriso, desloca-se e faz passos mais modernos, incorporados do balé, como arabesques. Assim como Aida, ela se movimenta bastante no palco e usa o plano médio com pivô, mas suas marcações de quadril lembram mais as da egípcia.

Este é um exercício bastante divertido de fazer e vamos voltar a repeti-lo por aqui. E é fundamental para nós, que ainda somos alunas, criarmos o nosso próprio estilo. E você, com qual das três mais se identifica?

Veja + Videoteca aqui

Anúncios

Alika

30 set

Neste vídeo, vemos a espanhola Alika dançando taqsim (em breve no blog) e o ritmo baladi na Espanha, em 2005, durante o BellySurdance.

Alika iniciou seus estudos na dança clássica com apenas três anos de idade. Foram anos nesta modalidade e também foi dançando flamenco que esta bailarina se interessou pelas danças de diversas culturas. A paixão pela dança do ventre foi imediata e logo aprendeu com grandes nomes como Fadua Chuffi, Lenna Beaty e Samara Hayat.

Não demorou muito para viajar ao Egito e conhecer a mestra Raqia Hassan. Logo após foi para Buenos Aires na Argentina, onde treinou com Amir Thaleb, Sarata, Maiada e Saida. Sem contar as aulas particulares com Jilina, Aziza e Randa Khamel. Já deu para entender que Alika captou diversos estilos e criou o seu próprio, certo? Vimos um vídeo desta bailarina aqui no blog quando falamos de giros na nossa videoteca. Alika trabalha o giro Sufi (relembre aqui) e também com o estilo clássico da dança do ventre.

Atualmente, Alika estuda as fusões da dança do ventre como o tango e flamenco e é mestra da casa de dança “Alika Danza“, a primeira escola espanhola especializada em Andalucia. Desde maio de 2004 cria, dirige e produz o festival internacional de dança oriental chamado BellySurdance.

Ela divide todo o seu aprendizado em workshops e seminários pela Espanha, México, Argentina e Brasil e já participou de festivais internacionais como Etnosur’04 e Etnosur’07; o World Music da Europa; X Encontro Internacional de Danças Árabes de 2008, realizado em Buenos Aires e veio ao Brasil em 2009 para o X Festival Internacional Luxor, em São Paulo.

Alika é bem tradicional na hora de se vestir para suas apresentações. Roupa de duas peças com cinturão carregado e bustiê com franjas são sua marca registrada quando vai dançar música clássica ou derbake. Geralmente, é de uma cor só, como dourado e lilás, e seus cabelos vermelhos costumam ficar soltos para dar graça aos movimentos que faz com a cabeça, típicos do zaar. Falando em movimentos, eles são bem grandes.

Alguns dizem que são exagerados, mas nota-se a característica comum das argentinas e algumas bailarinas espanholas quando Alika dança. Elas conseguem ocupar todo o palco e parecem ter mais de dois metros de altura justamente porque mantém a postura perfeita e fazem os movimentos de braços e ondulatórios bem grandes para que todos possam ver. Suas batidas são bem marcadas e a expressão é mais neutra, coisa que os egípcios não gostam muito.

No vídeo acima, vimos Alika na dança árabe clássica, agora confira o derbake da espanhola apresentado em 2008 no México.

Veja + Bailarinas aqui

Soudi

23 ago

O Soudi é um ritmo da região do Golfo Pérsico, em especial da Arábia Saudita. Também conhecido como Aadany, o nome original Saudi remete ao país e ao grupo Al-Saud. É possível encontrá-lo no Bahrain, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Qatar, Oman e Yemen.

Características
O Soudi é um dos ritmos mais conhecidos da dança chamada Khaleege (khaleegy, khaliji, kalige).

Esta dança folclórica sofreu uma distorção quando chegou ao Brasil. Na época, o ritmo que trouxeram e os passos não correspondiam ao que era chamado de Khaleege.

Se você encontrar, por exemplo, uma bailarina fazendo gestos e colocando o pulso na testa, no peito, fazendo movimentos com as mãos nos braços, como se estivesse se limpando ou livrando de algo pense duas vezes. Na verdade, esta é apenas a representação de uma música e não são passos básicos do Khaleege. Mas esta história será melhor explicada em um outro post.

Composição
O ritmo é bem simples e curto, em compassso 2/4. Pode ser tocado de forma acelerada ou lenta. Conforme a região pode apresentar outra forma, mas sempre apresenta acentos fortes nos DUMs, enfatizando a dança Khaleege. Sua formação básica é DUM KA DUM KA ou DUM TA DUM TAKATA. Na nossa pesquisa, também encontramos outras variações, tais como:

DUM KA KA DUM KA KA TA KA

DUM KA KA DUM KAKA TA KA

DUM KA DUM KATAKA

Como treinar
Assim como o ritmo da semana passada, você dificilmente irá se apresentar com snujs e tocando o Soudi. Treine com o mesmo modelo de sempre. Bata o DUM com a mão direita ou com ambas as mãos, o TA com a esquerda e o KA, com a direita. Ou inverta, se você for canhota.

Dicas de passos
O passo mais comum de ser encontrado em uma música com o ritmo Soudi é o básico do Khaleege. Coloque o peso sobre a perna da frente e balance o corpo com o pé de trás na meia ponta, como se fosse um manquinho. Lembre-se de fazer fortes marcações nos DUMs e leves nos TAs. Especificamente no Khaleege você também pode balançar os cabelos de um lado para o outro.

Faixa retirada do CD Jalilah Raks Sharki Vol.4

Veja + Ritmos
Wahda wa noz
Chiftetelli

Falahi
Masmoudi
Jerk
Maksoum
Bolero
Malfuf
Baladi
Ayub
Said

%d blogueiros gostam disto: