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Videoteca: Randa Kamel

8 jul

A egípica Randa Kamel traz mais uma forma de dançar com wings. Sem os bastões de sustenção da asas, ela segura a ponta do véu com os dedos, deixando o pesado tecido mais leve com seus movimentos.

As famosas batinhas sequinhas estão presentes nesta apresentação, bem como as fendas e decotes avantajados. Neste vídeo podemos ver o entrosamento que esta bailarina tem com a banda, bem como o domínio dos movimentos.

Além disso, mostra que nem todo taqsim precisa ser dançado com tremidinhos. As ondulações, poses e braços podem muito bem dar conta do recado.

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Videoteca: Munique Neith (interação com os músicos)

21 jan

Dançar acompanhada de uma banda ou de músicos ao vivo é um desafio ainda maior para qualquer bailarina, até as mais experientes. Por isso, é fundamental ter conhecimentos sólidos e integração com os músicos.

Para analisar um pouco melhor, selecionamos um vídeo da Munique Neith e, de quebra, aproveitamos para conhecer um pouquinho desta brasileira que fez carreira na Espanha.

Na apresentação acima, ela está acompanhada do professor de dança e percussionista Mohamed el Sayed e de Fernando Dipiaggi no sopro. Note como ora ela acompanha a melodia e ora a percussão, fazendo os passos com a mesma intensidade do instrumento tocado. Ou seja, se o músico e o instrumento passam leveza, nada de movimentos fortes e intensos, característicos desta bailarina em outras performances.
Munique deu aulas em diversos países, mas estabeleceu-se em Barcelona, onde abriu a primeira escola espanhola de dança do ventre. Desde 2008, dá aulas no “Ahlan Wa Sahlan”, festival promovido por Raqia Hassan. Neste ano, estará no XIII EIDA – Encuentro Internacional de Danzas Arabes, do Amir Thaleb. Mas a carreira desta bailarina é tema de um post futuro…

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A estrutura da música clássica na dança do ventre

1 dez

Uma boa bailarina, além de técnica e graciosidade, precisa ter conhecimentos profundos sobre ritmos e estrutura músical. Só assim ela é capaz sentir a música e traduzi-la com os movimentos e passos certos nos momentos adequados. Uma música clássica possui sempre uma estrutura modelo, que ajuda bailarinas a elaborar coreografias ou improvisar com a banda ao vivo, sem sofrer com sustos durante a apresentação.

1- O início é a apresentação da música e da banda. Não é a hora da bailarina entrar. É até possível, mas apenas fazendo uma ou outra graça. Isso porque a próxima deixa da música é justamente para a entrada triunfal da bailarina.

2- Esta é a hora em que a plateia faz o primeiro contato com a bailarina. Vai querer ver quem é, conhecer seu rosto, sua postura, a roupa. Assim, o ideal é explorar o espaço, se fazer ser vista por todos e, para isso, abusar de deslocamentos grandiosos, como caminhada simples, passeio no bosque e evitar explorar muita técnica.

“Quando a ORQUESTRA INTEIRA está a tocar, é esperado que a bailarina utilize uma área maior do palco e que crie grandes ondas de movimento, fazendo a sua coreografia parecer tão grande como o som da orquestra. Quando um solista está a tocar, a bailarina deve fazer o oposto.”*

3- Em seguida, a música vai fazer uma transição, portanto, a bailarina deve tentar se centralizar no espaço. É possível que o ritmo se altere, em geral, entra um saidi, maksoum ou baladi, por isso, agora sim é possível explorar técnica, em especial de quadril, e brincar com o público.

4- Há uma nova transição. O ritmo pode mudar novamente e dar espaço para um taqsim (solo instrumental) ou um derbake. Este é o momento da bailarina, ela é o destaque e deve chamar ainda mais atenção para a sua dança e para o que sabe fazer melhor.

Daqui para frente a música pode voltar para o momento 3, passar por um trecho floclórico ou seguir qualquer outra variação com a frase melódica de base. E, na finalização, retomar a fase 2, na qual a bailarina vai ocupar novamente o espaço, para se despedir do seu público. Pode até fazer as mesmas sequências que fez no início. Outra opção, por exemplo, retomar os passos e repeti-los sem o véu de entrada.

Este é um modelo geral, mas é claro que pode sofrer variações, de acordo com a música. Porém, estudando bem este padrão, a probabilidade de reconhecer esta estrutura em qualquer música clássica é grande.

Depois de toda essa aula teórica, vamos ver na prática como isso funciona? No vídeo abaixo, Mahaila El Helwa na 1ª Noite de Gala Árabe no Scala, Rio de Janeiro.

* Trechos do artigo do encarte do DVD ‘Rhythms of the Nile/Drumming 4 Belly Dancers’, de Hossam Ramzy.

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