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O estilo libanês

21 mar

Quem estuda os vídeos de dança do ventre logo nota que há diferenças evidentes, mas que apesar disso, sempre existem algumas características comuns em bailarinas de mesma origem. Por isso, temos o que ficou conhecido como o “estilo”.

Hoje vamos relembrar um pouco do estilo libanês, um dos mais antigos, ao lado do egípcio. Muitas pessoas consideram-no como uma mistura deste, com toda a sua força, com o turco, que é um pouco mais suave.

Os movimentos são os mesmos que estamos acostumadas, porém, há diferenças na ênfase. Os passos são bem marcados. As libanesas também fazem acentos com os glúteos e preferem ocupar bastante o espaço que possuem, com deslocamentos grandes. Os braços, por sua fez, recebem um pouco mais de destaque do que as egípcias, que capricham mesmo é no quadril.

Já as roupas são parecidas e o modelito mais comum é o de duas peças bordadas e saia. Um detalhe: elas adoram um saltinho!

As músicas mais usadas são árabes modernas, como as composições de Raja Zahr. É comum encontrar fusões de ritmos originais do oriente médio com outros do ocidente e ver apresentações com snujs. Um povo cheio de ritmo!
Quando falamos de folclore a coisa fica mais complicada. Cada região tem tradições diferentes. No Líbano, por exemplo, o Dabke tem algumas especificidades, assim como o Khaleege.

Quer saber um pouco mais? Assista alguns vídeos de bailarinas famosas por este estilo. Destacamos alguns pontos em cada um deles, mas note que em todos há traços comuns.

Nadia Gamal– desta diva você já conhece bastante. Além da biografia, veja outro vídeo dela.
Sahara– repare que as marcações do derbake não ficam apenas no quadril.
Dina Jamal– os braços estão sempre em movimento. Note sua expressão e como ela brinca com o público.
Amani– ela domina o espaço que tem para dançar, flutuando com os snujs
Lucy– segure a onda, pois essa libanesa será a próxima biografada do Cadernos

E aguarde novas informações e vídeos!

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Uma breve história do dabke

9 mar

Toda boa festa ou apresentação de dança do ventre também tem uma bela roda de dabke no final. Todos os bailarinos, convidados e quem mais estiver por perto será puxado para e irá literalmente “bater no chão com os pés” (tradução literal da palavra), afinal é um momento de extrema alegria e festividade. Homens, mulheres, crianças e idosos entram na dança, pois o dabke das festas não tem tabus ou preconceitos.

Quem já entrou numa roda dessas sabe o quanto pode ser divertido. E complicado! O dabke é dançado no Líbano, Síria, Palestina e Jordânia. Também existe em versão para palco, coreografada para grupos mistos ou de casal.

Tradicionalmente dançado em grupo de homens, formando rodas, meia-luas ou uma linha. As pessoas dançam de mãos dadas, com um detalhe: a sua mão direita sempre fica sobre a mão esquerda do companheiro ao lado. A roda é puxada pela ponta direita por um “líder”, que guia o grupo girando um lenço branco. Ele dá pulos, giros, se ajoelha e faz outros passos enquanto o grupo o acompanha com batidas muito fortes dos pés. Há uma base, mas a combinação e a varidade de sequências de passos são grandes, principalmente por que alguns são específicos para rodas e outros para palco.

Há uma marcação de ritmo (Said e Malfuf são os mais comuns) com passos para frente e para trás, pulinhos, chutes, saltos e agachamentos. Nada de marcações de quadril e ondulações de braços. A música é acompanhada por um derbake, nay ou mijwiz. As roupas tradicionais desta dança são as calças shieruel (ou cirwal) e as botas, para os homens. O visual é complementado por uma faixa vermelha na cintura, coletes e, na cabeça, um chapéu, faixa ou um pano conhecido como kefyeh ou kafieh. Enquanto isso, as mulheres usam vestidos fechados com um lenço no quadril, salto alto e um lenço na cabeça dá o charme.

Tudo isso teve origem nas aldeias do Líbano. Antigamente, o telhado das casas eram cobertos com plantas, galhos e lama. Na transição entre o outono e o inverno, a lama secava, começava a rachar. Para a reforma, eram chamados vizinhos que formavam uma fila, ficavam de mãos dadas e batiam os pés na lama para compactá-la novamente. Dizem que foi assim que surgiu o dabke. Depois, a dança se tornou um verdadeiro ritual e entrou para a tradição do país. Nos anos 60, passou a ser apresentado em eventos, apresentações e teatros.


Preparem-se, em breve mais posts sobre o dabke no Cadernos!
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Nawary

29 nov

Na semana passada estudamos um ritmo essencial para se dançar o dabke. Mas como quase toda música árabe não é feita de um ritmo só, vamos ver como outro ritmo aparece em peso nesta modalidade de dança: o nawary.

Nawary ou Tabl surgiu pela primeira vez nas províncias da Síria e do Líbano e é caracaterizado como um ritmo da família baladi muito utilizado no Egito ainda mais em solos de derbake.

O seu nome diferente é por causa dos ciganos Nawar, conhecidos por serem um dos povos que mais influenciaram a música árabe.

Características
Sua estrutura é bem marcada e cada vez que ouvimos o Dum é quase impossível não lembrar da dança dabke, que estudaremos em breve aqui no Cadernos.

Composição
É um ritmo 4/4, possui dois DUM, dois TAKA e um TA. Ao contrário de muitos ritmos desta composição sua frase inicial começa com TAKA.

TAKA DUM TAKA DUM TA. Parece um baladi mais animado, não? Por isso, preste atenção para não confundir, ainda mais que muitos derbalkistas adoram floreiar o nawary.

TA KATADUM TAKA TAKATAKA e ainda pode ser tocado como TA KATADUM DUM TAKATAKA, ao ser combinado com o ritmo wahda.

Como treinar
Pegue seus snujs e mãos a obra! Com as duas mãos, marque os DUM e separe entre direita e esquerda os TA e os KA.Se preferir (e se tiver), experimente tocá-lo com o adufe ou até mesmo com o derbake.

Dica de passos
Não vamos entrar em muitos detalhes porque vamos estudar o dabke em breve, mas pulinhos, chutes e giros são os passos mais usados. Você pode pular na hora dos DUMs e chutar nos TA e KA, ou até mesmo girar dentro deste ritmo 4/4. O importante é manter aquele sorriso no rosto e se divertir.

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