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Zeibek

14 fev

Apesar de ter a mesma origem, o ritmo Zeibek é muito diferente do Karsilama. O Zeibek é usado pelos gregos e uma dança chamada Ziembeikiko, tradicional da Grécia e comumente apresentada por um homem dançando com um copo na mão simbolizando a dança do bêbado.

Esta dança também era conhecida como a dança do sofrimento da guerra, mas com o passar dos anos este sofrimento passou para o amor.

Características
É um ritmo mais lento que soa duas vezes como um ritmo básico, o maksoum por exemplo, de quatro tempos somados mais um tempo.

Composição
Composto por 9/4, ele aparece agrupado como 4+4+1.

DUM TA_TA DUM TA DUM TA_ TA DUM TA TA

Este último TA, dá aquela batida extra que torna este ritmo tão singular.

Como treinar
Com seus snujs, bata o dum com uma das mãos e o ta com a outra. Não esqueça que o símbolo “_” representa um pausa deste ritmo.

Dica de passos
Sequências de impacto costumam ser usadas ao dançar este ritmo ainda mais que a marcação final é dorte. Você pode brincar com deslocamentos ou marcações totais, parciais e até unitárias.

Mescle movimentos ondulatórios com batidas sem esquecer de trabalhar braços, peito e deslocamentos para evitar que os passos fiquem presos ao quadril.

A estrutura da música clássica na dança do ventre

1 dez

Uma boa bailarina, além de técnica e graciosidade, precisa ter conhecimentos profundos sobre ritmos e estrutura músical. Só assim ela é capaz sentir a música e traduzi-la com os movimentos e passos certos nos momentos adequados. Uma música clássica possui sempre uma estrutura modelo, que ajuda bailarinas a elaborar coreografias ou improvisar com a banda ao vivo, sem sofrer com sustos durante a apresentação.

1- O início é a apresentação da música e da banda. Não é a hora da bailarina entrar. É até possível, mas apenas fazendo uma ou outra graça. Isso porque a próxima deixa da música é justamente para a entrada triunfal da bailarina.

2- Esta é a hora em que a plateia faz o primeiro contato com a bailarina. Vai querer ver quem é, conhecer seu rosto, sua postura, a roupa. Assim, o ideal é explorar o espaço, se fazer ser vista por todos e, para isso, abusar de deslocamentos grandiosos, como caminhada simples, passeio no bosque e evitar explorar muita técnica.

“Quando a ORQUESTRA INTEIRA está a tocar, é esperado que a bailarina utilize uma área maior do palco e que crie grandes ondas de movimento, fazendo a sua coreografia parecer tão grande como o som da orquestra. Quando um solista está a tocar, a bailarina deve fazer o oposto.”*

3- Em seguida, a música vai fazer uma transição, portanto, a bailarina deve tentar se centralizar no espaço. É possível que o ritmo se altere, em geral, entra um saidi, maksoum ou baladi, por isso, agora sim é possível explorar técnica, em especial de quadril, e brincar com o público.

4- Há uma nova transição. O ritmo pode mudar novamente e dar espaço para um taqsim (solo instrumental) ou um derbake. Este é o momento da bailarina, ela é o destaque e deve chamar ainda mais atenção para a sua dança e para o que sabe fazer melhor.

Daqui para frente a música pode voltar para o momento 3, passar por um trecho floclórico ou seguir qualquer outra variação com a frase melódica de base. E, na finalização, retomar a fase 2, na qual a bailarina vai ocupar novamente o espaço, para se despedir do seu público. Pode até fazer as mesmas sequências que fez no início. Outra opção, por exemplo, retomar os passos e repeti-los sem o véu de entrada.

Este é um modelo geral, mas é claro que pode sofrer variações, de acordo com a música. Porém, estudando bem este padrão, a probabilidade de reconhecer esta estrutura em qualquer música clássica é grande.

Depois de toda essa aula teórica, vamos ver na prática como isso funciona? No vídeo abaixo, Mahaila El Helwa na 1ª Noite de Gala Árabe no Scala, Rio de Janeiro.

* Trechos do artigo do encarte do DVD ‘Rhythms of the Nile/Drumming 4 Belly Dancers’, de Hossam Ramzy.

Sombati

4 out
A palavra sombati não deve ser estranha para quem é leitor do Cadernos. Retomando, o sombati é um instrumento de percussão com tamanho intermediário entre o derbake e a dohola. Porém, a palavra também designa um ritmo musical e nós estamos aqui justamente para falar sobre ele.

Assim como outros ritmos, o Sombati é uma variação do Maksoum. Lembra-se dele, considerado o “pai de todos os ritmos”? Apenas relembrando então: a notação gráfica base do Maksoum é DUM TAK (pausa) TAK DUM TAK.


Composição
Tendo a referência do Maksoum é mais fácil compreender a formação do Sombati. Sua forma simples é escrita como DUM TATA DUM TA. Agora compare os dois ritmos e perceba que a diferença essencial está na pausa entre os dois TAKs. Isso significa que o Sombati assume uma forma um pouco mais acentuada do que o Maksoum quando tocado.


Características
Este é um ritmo de compasso de 4/4 e pode ter variações lentas ou rápidas. Em geral, nas versões lentas aparece em taqsims. O músico Vitor Abdu Hiar afirma em seu site que este ritmo representa o trote de um cavalo em marcha. É muito comum encontrá-lo em composições ocidentais, em especial em trilhas sonoras como a música tema do filme Lawrence da Arábia.


Como treinar
A dica, como sempre é começar pelo ritmo puro, que é simples. Ouça bastante faixas do ritmo e, aos poucos, comece a tocar os snujs pelos DUM e só depois insira os TAKs. Esta é, aliás, uma ótima maneira de treinar a passagem do DUM para o TAK.


Dicas de passos
A principal dica aqui para não cometer erros é lembrar das marcações comuns no Maksoum e ir pelo mesmo caminho, lembrando de fazer as adaptações necessárias para manter o ritmo Sombati. Repare que neste ritmo não há pausas.

Faixa do CD Jalilahs Raks Sharki Vol 4.

Veja + Ritmos aqui

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