Arquivo | Fusões RSS feed for this section

Tango e dança do ventre

12 abr

Misture a delicadeza e a sensualidade da dança do ventre com a dramaticidade e a elegância do tango e você terá o… “bellytango” ou “tango-ventre” ou qualquer outro nome que quiser dar para essa fusão. Não se sabe exatamente quando surgiu, mas trata-se de um fenômeno contemporâneo.

“O tango é um pensamento triste que se pode dançar”, disse Enrique Discépolo (1901-1951), letrista argentino. Para a fusão podemos dizer mais ou menos a mesma coisa, mas para entendê-la melhor, nada como resgatar um pouco da história do tango, afinal, de dança do ventre conhecemos um pouco mais.

O tango nasceu nas ruas e casas noturnas da Buenos Aires do final do século XIX. Na época, era dançado por homens e só depois começou a ser difundido e circular entre casais de imigrantes ou proletários. Com o tempo, conquistou as classes altas e o mundo, principalmente com Carlos Gardel e a revolução estrutural de Astor Piazzolla, em 1950.

Nesta fusão, a expressividade é uma questão essencial, afinal, a dança do ventre, mas principalmente, a portenha é muito marcada pela expressão facial dos dançarinos. Outro detalhe é a postura, que na dança do ventre é um pouco mais suave e relaxada e no tango é tensa e bastante alongada. Repare como Yamil Annum consegue trabalhar perfeitamente isso na interpretação que faz abaixo.

No chamado bellytango ou tango-ventre, é possível se apresentar dançando sozinha, em casais ou grupos. Os passos mais repetidos quando misturam-se esses estilos são o “gancho” (aquela levantadinha de perna) e o “ocho” (aquele oito ou símbolo do infinito feito deslizando a pontinha do pé no chão).

Nanda Najla é uma das bailarinas brasileiras que trabalha a fusão, como no vídeo aí acima, interpretando “La cumparsita” com Carlos Clark. Em entrevistas, ela afirma que é fundamental ter conhecimentos de teoria e leitura musical. O tango, por exemplo, é caracterizado por um compasso dois por quatro. e na música árabe, bem, você já está cansada de saber que há diversos ritmos com bases diferentes.

As músicas são inspiradas nos tangos argentinos e podem ser mais tradicionais, puxadas para o tribal ou também para as batidas eletrônicas. Se você quer se arriscar, procure informa-se sobre o tango para incorporar na sua dança do ventre elementos adequados e que realmente sejam desta outra dança, evitando descaracterizá-la na fusão. Só para esquentar os motores, veja este link, com um passo a passo muito simplificado e bacana.
Para inspirar você selecionamos um vídeo de Amir Thaleb, que abre este post, responsável pela melhor adaptação da fusão que encontramos até agora. Amir dá um show e realmente mistura ambas as danças, ao contrário de alguns profissionais e amadores que dançam parte da música com movimentos de dança do ventre e outra parte com os do tango. Assista e divirta-se!

Veja + Fusões aqui

Andaluz

30 mar

O vídeo acima mostra uma compilação da dança andaluz.

Este estilo de dança teve sua origem na Espanha na época das invasões árabes na península ibérica com o objetivo de expandir a fé islâmica. Este povo ficou conhecido como mouros e eles habitaram em Andaluzia.

Nesta região espanhola tiveram muitas influências dos ciganos e dos próprios espanhóis surgindo assim o Raks al Andalus, ou simplesmente, Andaluz.

Esta dança, representada em grandes eventos e nos palácios reais para sheiks e sultões, é considerada um folclore na dança do ventre com influências do balé clássico e flamenco por causa da postura alongada e elegância nos movimentos.

É repleta de deslocamentos, poses, giros e movimentos de braços e quadris bem sutis, como mostra o vídeo da bailarina Nadah.

O ritmo que teria originado o andaluz seria o malfuf, mas é comum encontrar músicas com o masmoudi e samaai. Mahmoud Reda ficou muito conhecido com a forma falada/cantada (mowashah) de musicar o andaluz.

Os instrumentos mais usados neste estilo são o alaúde, rebab, darbuka, pandeiro, cítara e violino.

O andaluz é normalmente dançado por mulheres, mas não é difícil encontrar danças de casais e até mesmo masculinas.

As roupas são bem características: vestidos sem decotes com mangas em formato de boca de sino ou calças estilo aladdin (como a personagem Jennie, do seriado Jennie é um gênio).

Na cabeça, um véu fino com ou sem um chapéu (muito usado na Turquia). E os cabelos normalmente estão presos em um coque.

Claro que atualmente, é levado em consideração mais a saia e a barriga fica à mostra para evidenciar a dança do ventre.

As bailarinas podem usar lenços de seda para deixar os movimentos mais sinuosos ao seguir a melodia da música.

Pode ser dançada com leques e até mesmo o véu fan. Veja a apresentação de Kelly Obara, com a tradicional música al andalus de Albert Buss, dançando com o leque.

Veja + Fusões aqui


Fusão com dança indiana

16 mar

Difícil encontrar alguma amante de dança do ventre que nunca tenha ouvido a música do vídeo acima. “Nari Narein” é uma das inúmeras canções que ilustra a fusão da dança do ventre com a dança indiana moderna.

O cantor, Hisham Abbas, é egípcio enquanto que a voz feminina é comandada pela indiana Jayashri. Ele canta em árabe e ela em hindu.

O que importa deste vídeo no post são as características da dança Kathakali, estilo de dança mais teatral misturado às artes marciais de Kerala (terra dos templos).

A fusão estourou depois que o cinema de Bollywood ganhou muito destaque e a maior parte dos filmes da indústria cinematográfica indiana é musical. Para aumentar a popularidade, é costume lançar o single antes mesmo da estreia do filme para medir o impacto com o público.

Nesta fusão podemos encontrar músicas clássicas, como o odissi, mas o moderno aparece bastante como no caso do vídeo que abriu este post.

As música são remixadas bem como o estilo da dança. Eis que a dança do ventre aparece como uma forte aliada ao Bollywood.

Mais uma vez usamos como exemplo o grupo The Bellydance Superstars. A coreografia chama Bombay Hollywood. Logo de cara somos apresentadas à uma fusão tribal, com a roupa típica, mas um véu na cabeça.

Vemos também as bailarinas com roupas típicas indianas, bem coloridas, mas com a barriga levemente de fora e com o véu da dança do ventre na cabeça adaptado à fusão.

O início da coreografia puxa para o tribal. Mas logo vemos os movimentos indianos executados de forma mais lenta. A seguir, entra o grupo mais colorido que iniciam a dança com reverência, da mesma forma que era realizado em Kathakali.

A ênfase em movimentos com a cabeça, mãos e pés destaca a dança indiana. E de repente, surgem as batidas de quadris, tremidinhos, mas nunca movimentos ondulatórios que costumam aparecer no odissi ou logo na introdução com as tribais.

Gostaram desta fusão? Veja + fusões aqui

%d blogueiros gostam disto: