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Estilo egípcio

2 maio

Apesar do enorme movimento da dança do ventre pelo mundo, invadindo as Américas e demais regiões com força, o Egito ainda hoje é um centro que concentra grandes mestres da dança. Não é para menos, afinal o país está na origem da dança e foi o berço de muitas bailarinas. Como reflexo, o chamado “estilo egípcio” é uma referência para as brasileiras, mesmo que não seja a única inspiração.

O primeiro detalhe que chama atenção é a interpretação. É raro encontrar uma bailarina egípcia com este ponto fraco. Normalmente elas sofrem e ficam alegres de acordo com letra e melodia da canção – o que pode até ficar caricato para alguns. Acima, você pode assistir ao vídeo de Dina, em que este é um traço muito característico.

Isto tudo enquadra movimentos pequenos, mas bem marcados de quadril, poucos deslocamentos e uma técnica de tremidinhos bastante caprichada. Como o quadril ganha destaque, braços e mãos ficam mais delicados e sutis. Em geral, possuem uma dissociação corporal apurada e uso de contrações musculares secas para gerar movimentos pequenos e intensos. Na música, costumam acompanhar mais o ritmo do que a melodia, sendo que os folclóricos, como o Saidi, são mais comuns. Na videoteca da última semana, você pode conferir os movimentos de Fifi Abdo, típicos do estilo egípcio, mas com todo um toque da bailarina.

Por fim, há elementos básicos da dança do ventre atual que foram incorporados por egípcias como Badia Masabni. Por causa dela temos hoje instrumentos clássicos e populares combinados, ritmos misturados e a composição musical diferenciada. No palco, ela também é responsável pelos saltinhos e pelos véus.

Deixando a teoria de lado, podemos estudar tudo isso na prática assistindo uma série de bailarinas. As já conhecidíssimas Samia Gamal, Tahia Carioca, Lucy e Naima Akef, de uma primeira geração, carregam alguns destes elementos. Azza Sharif, Fifi Abdo entre outras vieram em seguida. Para quem prefere os mais modernos, pode atacar de Randa Kamel e Dina. A brasileira Soraya é uma das que optou por seguir carreira por lá mesmo.

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O estilo libanês

Lucy

24 mar


É muito difícil encontrar informações sobre esta bailarina egípcia, que até hoje faz apresentações no Cabaré Parisiana, casa de propriedade do seu marido, no Cairo. Nasceu em uma família humilde e ficou famosa pela dança e por sua carreira de atriz de cinema e televisão.
Era muito elegante, com movimentos controlados e técnica bem desenvolvida, influência das aulas de balé clássico que fazia na infância.
Em entrevistas, ela afirma que quando conheceu Naima Akef, Samia Gamal e Tahia Carioca, descobriu que a dança ia muito além do que ela imaginava.

 

Foi amarrando um pedaço de tecido em torno do quadril que ela iniciou seu trajeto na dança do ventre. Repare como ela usa os braços e postura alongada, com muitos arabesques. Os movimentos são curtinhos e suaves, independente de serem tremidinhos ou batidas. Falando em shimmies, assista esta apresentação da bailarina e note como são delicados.


Lucy também representou parte da cultura egípcia no documentário Cairo Unveiled, exibido pela National Geographic, em 1996. Veja um trecho aqui.

Badia Masabni

10 fev

Ela já apareceu aqui no Cadernos diversas vezes, quase sempre é lembrada por sua casa de espetáculos. Mas afinal, ela é apenas uma proprietária de um estabelecimento? Como foi a sua vida até chegar lá? Seu nome é Badia Masabni, bailarina das antigas, nasceu no final do século XIX.

Infância e juventude
Sua história é bem diferente do conto de fadas que costuma ser a vida das bailarinas que conhecemos. Diz-se que aos sete anos ela sofreu um abuso sexual e o culpado, apesar de preso, logo estava de volta às ruas. Envergonhada, a família mudou-se para a Argentina, onde viveram até a adolescência de Badia. Foi a melhor época de sua vida, pois descobriu a paixão pela dança, atuação e canto.

Carreira
Voltou para a Síria, mas a carreira começou a andar mesmo no Cairo, com pequenos papeis que pegava. Em 1914, começou a trabalhar com Madame Jeanette, em Beirute, e lá aprendeu a dançar e a cantar em árabe. Em 1921, tornou-se a estrela do estúdio do diretor Nagib El Righany, com quem teve um relacionamento e ficou casada durante um período curto. O famoso Cassino Badia foi aberto em 1926. Ela teve problemas financeiros ao tentar investir em um filme e decidiu fazer uma turnê com o seu grupo. A jovem Tahia Carioca fez essa viagem. Depois de algum esforço e empréstimos abriu o Cassino Opera, em 1940.

Lançando estrelas
Até essa época, as apresentações de dança eram feitas em lugares pequenos e com a criação da casa, precisou de adaptação para palco e as bailarinas começaram a usar sapatos de salto. Neste época foram incorporados alguns movimentos do balé, como as caminhadas, arabesques e giros. A casa de Badia foi cenário para centenas de filmes. Lá ela também reconheceu e aflorou o talento de muitos músicos, cantores e meninas que viraram estrelas: Naima Akef, Nadia Gamal, Samia Gamal e Tahia Carioca.

Ela faleceu em 1975, no Líbano, suicidando-se após uma depressão profunda. Ficou muito querida no Egito, mas não é para menos, afinal ela realmente revolucionou diversos aspectos da dança e da música.

Outra inovação foi inserir nas orquestras árabes os instrumentos populares, misturando-os aos clássicos. Assim, violinos, alaúdes e outros passaram a acompanhar o derbake, riqq, daff entre outros. Como efeito, os ritmos alteraram-se levemente e as músicas começaram a ter taqsins, típicos da cultura turca. Acha que é só isso?

Sabe as ondulações de braço e a postura padrão de mantê-los na altura do tronco? Pois é, ideias de Badia. O uso do véu como um acessório também veio dessa época. Como a dança foi adaptada para palcos, era necessário incrementar a apresentação para quem estivesse mais longe.

Demais, né? No Youtube tem um vídeo com um resuminho da história dela e, de quebra, um pouco sobre ritmos.

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