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Ao mestre com carinho: Saida e Shanan

15 mar

Angeles e Corel já passaram por esta homenagem. Agora é a vez das argentinas Saida e Shanan. Se você é leitora assídua do Cadernos sabe que Saida começou na dança em 1983 e dez anos depois abriu a sua escola. Shanan entrou para a escola em 2000 e dois anos depois se formou como professora, no mesmo ano em que Saida formou o corpo de baile Rakkasah. E é claro que a mocinha também entrou para a trupe.

Estas duas bailarinas possuem características bem parecidas, analise a apresentação acima, que fizeram juntas. Fazem uma dança do ventre mais moderna e no que chamamos de estilo argentino, misturando muito do jazz e do balé clássico com a tradicional dança do ventre. Além disso, ambas possuem uma extrema capacidade de dissociação corporal. Suas coreografias tendem a ter poucas repetições e muitos movimentos em tempos curtos.

Note como ambas usam muita força no quadril, enfatizando as marcações, ao mesmo tempo em que oferecem aos passos de ligação muita leveza, por meio de arabesques com pernas alongadas. Além de tudo, são parecidas fisicamente, se pensarmos na proproção corporal e estilo dos cabelos. As roupas também contribuem para a semelhança. Em geral, evitam uso de franjas e preferem vestuários mais modernos.

Saida já teve aulas Olga Ferri, Ricardo Rivas, Rina Valver e Enrique Lomi, mas seu principal mestre foi Amir Thaleb (isso já daria outro post…). Shanan, por sua vez, já está começando a ter suas pupilas pelo mundo, entre turnês e workshops.

Mas nosso post não pára por aqui. Selecionamos um derbake da mestra Saida e outro da aluna Shanan para você comparar. Apesar da grande semelhança,  não é que cada uma delas tem o seu jeitinho?

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Uma breve história do dabke

9 mar

Toda boa festa ou apresentação de dança do ventre também tem uma bela roda de dabke no final. Todos os bailarinos, convidados e quem mais estiver por perto será puxado para e irá literalmente “bater no chão com os pés” (tradução literal da palavra), afinal é um momento de extrema alegria e festividade. Homens, mulheres, crianças e idosos entram na dança, pois o dabke das festas não tem tabus ou preconceitos.

Quem já entrou numa roda dessas sabe o quanto pode ser divertido. E complicado! O dabke é dançado no Líbano, Síria, Palestina e Jordânia. Também existe em versão para palco, coreografada para grupos mistos ou de casal.

Tradicionalmente dançado em grupo de homens, formando rodas, meia-luas ou uma linha. As pessoas dançam de mãos dadas, com um detalhe: a sua mão direita sempre fica sobre a mão esquerda do companheiro ao lado. A roda é puxada pela ponta direita por um “líder”, que guia o grupo girando um lenço branco. Ele dá pulos, giros, se ajoelha e faz outros passos enquanto o grupo o acompanha com batidas muito fortes dos pés. Há uma base, mas a combinação e a varidade de sequências de passos são grandes, principalmente por que alguns são específicos para rodas e outros para palco.

Há uma marcação de ritmo (Said e Malfuf são os mais comuns) com passos para frente e para trás, pulinhos, chutes, saltos e agachamentos. Nada de marcações de quadril e ondulações de braços. A música é acompanhada por um derbake, nay ou mijwiz. As roupas tradicionais desta dança são as calças shieruel (ou cirwal) e as botas, para os homens. O visual é complementado por uma faixa vermelha na cintura, coletes e, na cabeça, um chapéu, faixa ou um pano conhecido como kefyeh ou kafieh. Enquanto isso, as mulheres usam vestidos fechados com um lenço no quadril, salto alto e um lenço na cabeça dá o charme.

Tudo isso teve origem nas aldeias do Líbano. Antigamente, o telhado das casas eram cobertos com plantas, galhos e lama. Na transição entre o outono e o inverno, a lama secava, começava a rachar. Para a reforma, eram chamados vizinhos que formavam uma fila, ficavam de mãos dadas e batiam os pés na lama para compactá-la novamente. Dizem que foi assim que surgiu o dabke. Depois, a dança se tornou um verdadeiro ritual e entrou para a tradição do país. Nos anos 60, passou a ser apresentado em eventos, apresentações e teatros.


Preparem-se, em breve mais posts sobre o dabke no Cadernos!
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Videoteca: Amara Saddeh

25 fev

Com este vídeo podemos falar de muitas coisas legais. O uso do “meio-wings” pelas bailarinas Mahira Hassan e Samira (de azul) de uma forma bem diferente do que estamos acostumadas quando vemos uma apresentação com este acessório ou até mesmo da forma que ele mesmo foi adaptado para a roupa da Amara.

Esta perfomance foi apresentada em junho de 2008 no Egito. Amara, que em breve publicaremos sua biografia, tem formação em balé clássico. Logo, a fusão entre essas duas danças aparece bem suave. Cambrês e arabesques marcam sua personalidade bem como a suavidade de braços e mãos e a expressão no rosto.

Para finalizar e já entrar no clima do Carnaval, Amara encerra sua apresentação ao som de um samba mixado com derbake.

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