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Videoteca: Taqsim (Nagwa Fouad e Lulu Sabongi)

1 out
A videoteca desta semana está mais do que especial. Selecionamos um tema importantíssimo para estudar, o taqsim. Além disso, daremos referências aos diversos outros conteúdos que já exploramos em posts antigos. Prepare-se para muita informação!

O taqsim (taksim) é uma improvisação melódica, um solo de um instrumento durante uma música. Pode ser acompanhado de um ritmo de base, a exemplo do Wahda wa noss e Chiftetelli. Pode ter ou não métrica e aparece em composições árabes, turcas, gregas e de países do Oriente Médio.

Nestes trechos, a bailarina precisa acompanhar com extrema perfeição o som do instrumento, transmitindo pelo seu corpo as variações de velocidade, tensão e  notas. Por isso, é preciso conhecer em detalhes a música e é fundamental ter muita sintonia com o músico, caso a apresentação seja ao vivo. Evite marcar o ritmo e priorize a melodia, com toda a sinuosidade e leveza.

Muitas pessoas consideram o taqsim uma conexão com o mundo espiritual. É um momento introspectivo. Quando bem feito é um dos pontos mais altos de uma apresentação.

Para ilustrar este tema, selecionamos um vídeo da lindíssima Nagwa Fouad, que já apareceu em uma biografia do Cadernos, no qual ela explora o taqsim em acordeão, tabla e kanoon.

Existem solos de taqsim dos mais diversos instrumentos, como o de violino, kanoon, alaúde, acordeão, nay, rababa, teclado e assim vai. Cada instrumento exige um tipo de movimento diferente. Por exemplo, o violino pede ondulações e, dependendo da extensão da nota, tremidinhos suaves. Já o kanoon exige um pouco mais dos tremidos, em especial quando combinados com outros passos. De qualquer forma, lembre-se de ficar centrada entre os públicos e de explorar movimentos com muita técnica e pouco deslocamento.

Por fim, fica uma dica bem interessante para quem quer aprender mais sobre o tema. O volume VI da série “A Arte da Dança do Ventre”, da Lulu Sabongi, é exclusivamente sobre a construção de um taqsim. No vídeo abaixo, Lulu fala especialmente dos tremidos em trechos de taqsim. Concentre-se, prepare o corpo e a cabeça para estudar bastante e comece a treinar!


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Nagwa Fouad

12 ago

Inovadora, moderna, dedicada e apaixonada são características da egípcia Nagwa Fouad. A bailarina, que começou a carreira na década de 50, continuou em atividade até meados dos anos 90. Aperfeiçoava sua técnica explorando fusões na dança, arte que exercia com tanto carinho.

Filha de um egípcio e uma palestina, nasceu em 1942, em Alexandria, com o nome de Awatef Mohammed El Agamy. Assim como outras bailarinas, começou a carreira no Cairo, para onde se mudou na época em que completou 15 anos para trabalhar como telefonista da Orabi, agência de cinema.

Foi o próprio Orabi quem a incentivou a seguir profissionalmente na dança. Ela começou nas casas pequenas e, no início dos anos 60, já dançava nos famosos Sahara City e Auberge des Pyramides. Nagwa teve uma formação consolidada, fez a Mazloum Dance School e entrou para a National Dance Troupe, grupo folclórico. Assim, conseguiu estudar balé, jazz, dança contemporânea, além de dança egípcia clássica e folclórica. “Peguei o estilo de dança de Tahia Carioca e de Samia Gamal e criei um espetáculo teatral, como uma peça dramática,” afirma a própria bailarina

Sua história também foi marcada pelo cinema (foram mais de 350 participações, veja uma aqui), após ter atuado no filme “Sharei El Hob”. Nesta ocasião, ela dançou a música “Olulu”, de Abdel Halim Hafez.

Na opinião de Hossam Ramzy foi “o mais perto que podemos chegar à demonstração mais natural de uma verdadeira mulher egípcia comum (na melhor definição da palavra comum) que uma jovem poderia fazer. Perfeitamente inocente, cheia de amor, emocionalmente bem expressa, traduzindo todos os pontos da música de forma maravilhosa e retratando o enredo com um desempenho profissional que precisaria ser visto para ser acreditado”. Em outra ocasião, Hossam afirma que chorou de emoção ao ver a moça dançando ao vivo.

Nagwa também reúne outro feito, afinal são poucas as bailarinas que ganharam músicas de homenagem. “Qamar Arbaa-tashar” foi composta sob medida para ela por Mohamed Abdel-Wahab. Outros clássicos também foram feitos para ela. Você se lembra da “Shik-Shak-Shok“? Pois é, esta e outras como Ali Loze, Amar Arbaatasher, El Saidi, Naasa e Mashaael estão na lista.

Em tantos anos de carreira, reuniu muitas pessoas. Sua banda era composta pelos melhores e o grupo chegou a ter 35 músicos, 12 bailarinos, figurinista e coreógrafo. No vídeo abaixo, repare como ela sempre mantém a postura alongada, embora com braços relaxados e como prefere as ondulações como oitos e redondos emendados com pivôs. Apesar disso, quando utiliza batidas prefere fazê-las com muita intensidade.

Quer mais vídeos? Acesse o nosso canal no Youtube.

Veja + Bailarinas
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Soraia Zaied

Chiftetelli

9 ago

A palavra Chiftetelli (ciftitelli, chiftetelli, chifatelli, chifftatelli, chifititelli, tsifteteli ou shiftaatellii) tem diversos significados. Na Grécia, por exemplo, Tsiftetelli (Tschifftitilli) é usado para referir-se à dança do ventre em geral, ao bellydance do inglês.

A palavra também é utilizada para identificar o ritmo que acompanha o Taksim, improvisação melódica de um instrumento. Além disso, é o nome de um ritmo, como você já deve ter ouvido falar. É muito comum em músicas gregas, turcas e americanas usadas nas apresentações de dança do ventre.

Características
Diz-se que a Grécia ou a Turquia podem ser a pátria mãe deste ritmo 8/4. Na Turquia, além de ser usado nas apresentações de dança do ventre, também é comum nas danças de casais.

Algumas pessoas o confundem com outro ritmo, o El Zaffa, ou com o Whada wa noz. A diferença, no entanto é no acento ou na finalização dos ritmos. O Whada wa noz é tocado com a frase DUM TAKA TAKA DUM DUM TAK, enquanto o Chiftitelli é terminado com DUM TAKATA. Veja a composição e a notação gráfica abaixo. Segundo o site do derbakista Pedro Françolin, os egípcios costumam usar uma versão simplificada deste ritmo, que recebe o nome de Whada Khabir.

Composição

Entender a composição deste ritmo pode ser muito confuso, pois é encontrado com diversas notações e formas, inclusive com dois DUMs na segunda parte.

Pode ser tocado em duas velocidades. Quando é rápido, costuma ser usado em apresentações de casais ou grupos, pois as músicas assumem uma batida mais ágil e o efeito é uma dança mais alegre, ideal para este tipo de situação. Já na sua forma mais lenta, é preferido por bailarinas em solos, trabalhos de chão e ondulações, pois a melodia fica mais sensual.

Sua base é muito semelhante à um Maksum e a forma gráfica fica assim:
DUM – KATA – KATA – DUM – TAKATA  (de acordo com o derbakista e professor Rodolfo Bueno, Ruka)
Ou ainda: DUM – TAKA – TAKA – DUM – TAKATA
Outra opção: DUM – TAKA – TA – TAKA – TA – DUM – TAKATA
Forma encontrada em referências de derbakistas estrangeiros: DUM – TAKATA – TA – TAKATA – DUM – DUM – TA – TAKA

Repare que, em geral, a estrutura se mantém e é o floreio que vai sendo interpretado de formas diferentes.

Como treinar
Como sempre, comece tentando tocar o ritmo em sua forma mais pura e sem a ligação entre frases. Quando conseguir agilidade e decorar a frase musical insira a ligação e comece a treinar suas variações. Veja algumas delas neste site. Acompanhe a faixa que selecionamos abaixo.

Dicas de passos
Como você já leu acima, na versão mais lenta, costuma ser usado em solos, taksims e em trechos de dança de chão. Por isso, inpira nas bailarinas movimentos lentos, bem trabalhados e ondulações caprichadas. Também é uma ótima oportunidade para explorar braços e peitoral.

Faixa do CD Ritmos Volume 2, Mario Kirlis.

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