Tag Archives: Bal Anat

Tribal

19 jan

Esta deve ser com certeza a fusão com dança do ventre mais conhecida. Nos últimos anos, ganhou ainda mais destaque com performances de bailarinas qualificadas como Rachel Brice, que assustam e encantam com uma técnica tão apurada. Porém, o tribal já passou por algumas transformações e assumiu novos ares desde a sua origem.

A palavra tribal está relacionada ao conceito de família, grupo ou comunidade. Refere-se a modalidade que reúne movimentos e conceitos presentes em danças da África, folclóricas orientais, além de flamenco, indiana e dança do ventre. Tudo isso é evidente nos trajes, passos e músicas.

As roupas carregam um pouco da ideia dos ciganos e povos nômades, incorporando aos tecidos acessórios literalmente garimpados por aí. Conchas, moedas, sementes, flores, bijuterias recicladas e franjas formam um mosaico que carrega também uma história de vida, memórias e, claro, o artesanal. A própria Rachel Brice comenta em entrevistas que costuma fazer suas próprias vestes.

Atualmente é possível encontrar bailarinas usando saias sem fendas ou calças largas. Cintos de moedas, cinturões de franja e xales são usados para complementar o quadril. Tops simples, blusinhas ou a combinação de ambos para a parte superior. Dizem, no entanto, que na origem eram usadas apenas galabias. Em geral, pulseiras, colares, braceletes, anéis, brincos e apetrechos para os cabelos sempre complementam o visual.

Falando nisso, você sabe quando se originou o tribal? Os primeiros registros são da década de 60, quando a bailarina norte-americana Jamila Salimpour (mãe da Souhaila Salimpour, que já esteve na nossa videoteca) fez uma viagem para regiões do Egito, Marrocos, Argélia e Líbia e incorporou a pesquisa ao seu grupo de dança Bal Anat, criado em 1968. Outra bailarina muito conhecida é Carolena Nericcio, que teve aulas com Masha Archer, pupila de Jamila. Ela e seu grupo Fat Chance Belly Dance incorporaram ao tribal técnicas do balé clássico e a improvisação coletiva. Na apresentação abaixo, repare os desenhos formados por este grupo e a disposição circular no palco.

E voltamos aqui a origem do termo tribal. Repare nas apresentações que é muito comum bailarinas dançarem em roda ou em meia-lua, quando em grupo. Desta forma, há contato visual entre elas e faz-se uma referência ao núcleo familiar e de comunidade.

Os movimentos são ondulatórios, sinuosidades que destacam o corpo

da mulher, em especial a região do ventre, como camelos, oitos e redondos. Também são comuns cambrês diversos, bem como braços e mãos milimetricamente trabalhados. A perfeita dissociação corporal aliás, é outra característica desta dança que explora pelve, abdômen, peitoral, braços, mãos e cabeças totalmente independentes, com paradinhas entre cada músculo nas versões mais modernas do tribal. Para isso, é necessário muito treino físico e mental.

Embalando toda essa tradição misturada a uma contemporaneidade está uma música com ritmos muito fortes e, por isso, com percussões e solos de derbake. Há desde melodias que lembram músicas folclóricas africanas, ciganas e até mesmo hip hop e remix. Aqui, porém, entramos em outros aspectos do tribal, que dariam origem para outro post…Aguarde!

Enquanto isso, assista aos vídeos indicados e conheça um pouco de Jill Parker, Jamila Salimpour e o grupo Fat Chance Belly Dance.

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Asmahan

25 nov

A libanesa Asmahan se interessou pela dança do ventre quando viu a apresentação de Bal Anat, do grupo da Jamila Salimpour, durante uma feira da renascença, realizada em São Francisco, nos Estados Unidos. Ela ficou encantada com o brilhos das roupas, o barulho das moedas dos cinturões, sem contar que achou a dança encantadora, feminina e espiritual.

Desde este momento, Asmahan percebeu que esta dança tinha uma energia de outro mundo. Não resistiu e foi conversar com a Jamila. Para sua surpresa, Jamila a convidou para dançar.

Nesta época, Asmahan trabalhava como estilista e fazia roupas para artistas, socialities da cidade, mas encontrou tempo para se dedicar a algumas aulas. Quem pensa que ela não teve dificuldade, está enganado. Diz-se que ela não tinha coordenação motora, noção de ritmo e achava que seria impossível aprender.

Mesmo assim, foi a fundo e se matriculou em cursos de snujs, derbakes, leitura musical e também história árabe. Ela aproveitou seu conhecimento como estilista e aplicou nas suas roupas de dança.

Asmahan ficou três anos em São Francisco e depois partiu para Londres. Lá, conheceu renomados músicos árabes e aprendeu a dançar com bandas ao vivo. Teve aulas com grandes nomes egípcios que ministravam aulas no país, como Mona el Said. Logo após foi para Viena, onde o nome Asmahan já era conhecido. Sua carreira estava decolando e resolveu ir para Cairo.

No país da dança do ventre, trabalhou em pequenos hoteis e quando visitava os locais mais famosos, conheceu Fifi Abdo. Durante a apresentação,
Fifi desafiou Asmahan – a estrela da Califórnia – a dançar. Para a surpresa de alguns presentes, ela arrasou e ainda ganhou o contrato que era assinado por Fifi para dançar em um grande hotel, chamado Meridian.

Aqui a orquestra passou a fazer parte de todas as suas apresentações. Seu sucesso atraiu o interesse de diversos empresários e Asmahan foi dançar no famoso hotel Mena House ao som de uma orquestra com 15 músicos.

Trabalhou com nomes grandes como  Nagwa Fouad e Tahia Carioca. Chocou muitos do ramo por ser considerada uma egípcia sem ter nascido e criada no país. Ficou dois anos no Cairo e retornou para Londres.

Asmahan acredita que os músicos são o sangue de uma bailarina, logo, tem que haver sintonia entre os dois.  A sintonia é tão grande que já fizeram um música especial para ela e nota-se como ela está conectada à música enquanto dança.

Como ela é libanesa, encontramos características comuns às bailarinas do Líbano: movimentos grandes e braços alongados. Ela é conhecida por apresentações-show, das quais algumas pessoas não gostam. Por exemplo, em uma apresentação aqui no Brasil, durante um festival da escola paulista Luxor de dança do ventre, ela entrou vestida como se fosse uma flor: pétalas ao redor do corpo.

Conforme ela dançava, ia retirando cada acessório. Para se ter uma ideia, separamos um vídeo dela dançando no navio que passeia pelo rio Nilo.

Suas roupas são bem chamativas e normalmente têm muito brilho. O cabelo costuma ficar solto e os olhos bem marcados para atrair todos os olhares. Com Asmahan podemos estudar como dançar com uma banda ao vivo assim como entender como é importante estudar os ritmos e instrumentos para dançar maravilhosamente.

Quer ver mais vídeos dela? Clique aqui

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Videoteca: Suhaila Salimpour (interpretação)

30 jul


A videoteca de hoje foi inspirada pelos comentários das nossas leitoras, que pediram para falarmos de tribal e da Suhaila Salimpour! Você também pode mandar a sua sugestão pelo twitter, e-mail (cadernosdedanca@gmail.com) ou pelos comentários.

Suhaila é filha de Jamila Salimpour, criadora da Bal Anat, a primeira companhia de dança tribal dos Estados Unidos. Suhaila, que esteve pela primeira vez no Brasil ministrando workshops em maio de 2010, absorveu essa influência materna em suas apresentações. Incorporou, por exemplo, um interessante trabalho com os braços. Além disso, estudar esta bailarina é interessante para lembrar a importância do treino da interpretação na dança do ventre. As egípcias, como Mona Said e Dina (em breve no Cadernos), são as que mais exploram esta característica, afinal conhecem as letras das músicas e podem expressar sentimentos comuns aos versos cantados pelo intérprete.

Enquanto os posts sobre tribal saem do forno, assista ao vídeo selecionado e repare como ela utiliza braços altos e serpenteados, semelhante aos do tribal. Veja como Suhaila faz variações de interpretações entre sorrisos e feições mais sérias. Cabe a você conhecer estas bailarinas, tentar conhecer um pouco das letras das músicas e dosar a interpretação para não ficar exagerada. Gostou dela? Acesse nosso canal no youtube e veja ela dançando um derbake.

Veja + Videoteca
Sadie (dissociação corporal)
Amir Thaleb (homens na dança do ventre)
Sonia (derbake)
Romina (improvisação)
O que destacar da música na hora de dançar
Saida (baladi)
Coreografia em grupo
Jillina (pop)

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