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Bendir

19 out

Outro instrumento de percussão muito usado na música árabe é o bendir (também chamado de erbeni, arbani e bandir). Da família dos membranofones, funciona como um tamborim, ou seja, seu som é produzido pela vibração de duas cordas esticadas junto ao couro.

Você já viu um bendir? Trata-se de um cilíndro de até 70 cm de diâmetro e 20 cm de profundidade. Lembra a aparência do pandeiro ou do tar, porém não possui os pratos metálicos.

É original do Norte da África e era tocado no Egito antigo, Mesopotâmia, Marrocos e Algéria. Hoje, ainda é usado em diversas músicas, folclóricas ou não, em especial nas cerimônias Sufi, Zaar e na música Berber.

Deve ser segurado com o apoio do dedão da mão esquerda que fica encaixado em um furo da estrutura de madeira, enquanto é tocado com a mão direita. O som pode variar de intensidade e duração, de acordo com a posição que os dedos batem e, claro, conforme o couro estiver esticado.

Escolhemos o vídeo abaixo para você ver como é a aparência de um bendir e conhecer o seu som.

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Videoteca: Petite Jamilla (giro)

17 set
Fundamental em diversas danças, os giros estão sempre marcando presença. Sejam com detalhes como os ganchos de perna da dança flamenca ou com o alongamento de postura, pernas e braços do balé. No vídeo abaixo, por exemplo, selecionamos uma dança Sufi, na qual o giro é um elemento essencial. Na dança do ventre não seria diferente. Porém, quem pensar que girar é fácil pode estar enganado.

Na dança do ventre, existem diversas modalidades de giros, da música clássica até a folclórica. Muito utilizado é o giro em três tempos. Neste, a bailarina pisa, faz uma transferência de peso de uma perna para a outra, impulsionando o corpo para girar. Em seguida, transfere novamente, finalizando com uma nova passada. Outro tipo é o que você circula em torno do seu próprio eixo. Como na dança do ventre as fusões estão circulando e sempre sendo incorporadas, você logo verá giros no estilo flamenco ou com cambrês, entre outras variações.

Fato é que, independente do passo, um giro precisa ser muito bem dado. Para isso, força nas pernas e na meia ponta é fundamental. Em geral, para não perder o equilíbrio, você pode girar olhando sempre para um ponto no seu corpo, por exemplo, sua mão, seu braço ou seu ombro.

Outro truque muito utilizado, mas que nem sempre é conhecido das alunas é a atenção com o movimento da cabeça. Se preferir, faça como a maioria das bailarinas e escolha um ponto fixo no ambiente para olhar. Tente manter o olhar sobre ele om máximo possível. Para isso, a cabeça é sempre a última a sair no giro e rapidamente chega ao outro lado, dando continuidade ao movimento. E falando nisso, por que não usar Petite Jamilla, a rainha dos giros, como exemplo desta videoteca?

Ela já apareceu em uma biografia do Cadernos e marca presença aqui novamente com a apresentação Elokainu, de Zohar. Ela sempre capricha, chega a ficar a música quase inteira girando, girando, girando… Não suficiente, usa um, dois, três e até quatro véus, pegando os últimos das mãos de uma outra bailarina (veja a apresentação que ela faz em Babelesque, DVD do Bellydancer Superstars).

Lindo, não é? Agora vamos caprichar no treino para manter o eixo e a postura durante muitos giros. Tá bom vai, não precisam ser tantos assim. E você, gosta de girar?

Nay

14 set
Diversas flautas usadas nas músicas árabes, cada qual com uma característica própria. Aqui no Cadernos, já falamos da Kawala, do Mijwiz e do Mizmar.
Outro instrumento de sopro muito utilizado é o Nay, também chamado de Nai, Ney, Nye e Tuiduk di gagri.
É da família das flautas e, em persa, significa palheta.
Dizem que em algumas regiões, como na Turquia, este é o principal instrumento da música clássica e pode ser até o único de sopro.
Por isso, estima-se que seja bastante antigo. Há registros em desenhos egípcios que remontam ao século III a.C. . Também é usado em músicas populares, folclóricas e em rituais, como os dos povos sufis, desvishes.
É formado por um bastão com um furo para o polegar e outros seis para os outros dedos, lembrando uma flauta doce. Na ponta, uma boqueira, em geral feita com ossos de animais.
Pode ser feito com bambus, metal ou plástico. Existem nays de diversos tamanhos e cada um possui um nome especial. Na nossa pesquisa encontramos: olahenk, davut, sah, mansur, kizneyi, müstahsen e sipürde.

Assim como a Kawala, produz um som longo e lento. Por isso, se você identificá-lo em uma música, aproveite para explorar as suas melhores ondulações, variando a velocidade conforme o músico estiver tocando.

Lembre-se de que as ondulações podem partir do quadril, tronco e também dos braços e das mãos. Também é possível fazer dança de chão enquanto você ouve este som tão doce e, ao mesmo tempo, melancólico.

No vídeo abaixo, você pode ver um concerto com uma flauta nay, apresentado por Avi Adir, no auditório Byron. Aproveite para reparar como o timbre é bem diferente dos outros instrumentos de sopro que nós já estudamos. Neste outro vídeo, você conhecerá uma outra forma de tocar, mais linear e, portanto, com menos variações.

Dizem que o nay é como o corpo humano, ou seja, precisa ter um sopro que o faça manter a vida. Bonito, não?
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