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Flamenco e dança do ventre

26 jan

Assistindo aos vídeos deste tipo de fusão a influência do flamenco nas roupas e até na melodia das apresentações de dança do ventre é evidente. Mas você sabe de onde surgiu esta mistura? Bom, o início é fácil de imaginar para quem conhece um pouco de história. Quando os árabes invadiram a Península Ibérica (século VIII), houve uma mescla entre culturas européias (de povos chamados de artésicos , oriundos do Norte da África) e orientais (da região de Damasco, conhecidos como berberes e turcos).

A partir deste momento, uma das manifestações culturais comuns na Andaluzia eram as festas mouras, com música, dança e sempre acompanhadas de aplausos. Das festas surgiu um ritmo que ficou conhecido como zambra, (no árabe, “Samra”) e significa “morena”. Posteriormente, o ritmo deu origem à dança que ficou popular na Espanha nos anos 40 e 50 com bailarinas como Lola Flores, Carmen Amaya e La Chunga.

Depois deste breve histórico, é possível identificar algumas características na fusão feita hoje na dança do ventre. Dela, foram incorporadas principalmente as ondulações e tremidinhos diversos, já os quadris perdem potência e destaque. Do flamenco, em especial a postura e trabalho de braços e mãos, sempre em movimento e com dedos bem abertos. A professora Lua Samsara explica que “os movimentos de dança do ventre, são misturados à postura mais rígida do flamenco, os braços e mãos são mais fortes, perde-se um pouco a suavidade da dança do ventre”. Do flamenco foram incorporados paseos, golpes, palmeados, sapateados, giros típicos e cabeças de golpe. Dos ciganos, deslocamentos e trabalhos de saias. Na apresentação de casal de Zahra Li e Fabricio, no evento Maktub Festival VII, é possível ver isso com clareza.

A roupa, portanto, torna-se uma protagonista. Vestidos e saias rodados com babados, flores nos cabelos, xales sobre os ombros ou amarrados na cintura ou cintos de moedas. Na parte de cima, blusas com mangas bufantes, largas ou com os ombros à mostra complementam o visual. Apesar da semelhança do flamenco, da dança cigana e da fusão com a dança do ventre, Adriana Bele Fusco explica que são diferentes. “No flamenco existe a influência cigana extremamente forte nos cantes, em especial nos cantes gitanos.”

A música que acompanha esta fusão pode puxar mais para o flamenco ou apenas lembrar sonoridades usadas nesta dança espanhola. Em geral, há muitas melodias com dedilhados de cordas acompanhadas de castanholas ou de outros instrumentos, como é o caso do cajón (caixa de percussão de madeira). Adriana Bele Fusco afirma que podem ser usadas “alegrias, bulerias, solea, solea por bulerias, tangos, rumba ou músicas árabes e tribais que tenham um “Q” de flamenco, com sons de castanholas, sapateos, guitarras flamencas e até mesmo o canto”.

Se você gostou e tem interesse em se especializar, lembre-se de que há alguns cuidados a serem tomados. É necessário manter os joelhos semiflexionados quando há trechos de sapateado. “Não podemos esquecer das mãos e dos punhos, que nessa modalidade são bastante trabalhados, com certa força, e não recebem tanta atenção em outras”, garante Lua. Já Adriana nos lembra de outro fator essencial: “Fusão é uma mistura inteligente de mais de dois ritmos, sem deixar com que pareça que dividiu a dança fazendo parte dança do ventre e parte flamenco.”

***Colaboraram neste post:Adriana Bele Fusco – bailarina há 33 anos, é administradora da Bele Fusco Escola de Danças. Possui formação em diversos estilos. Dirige o DSA (Dancers South America), primeira Cia de Danças da América Latina. Foi uma das 2 bailarinas selecionadas pelo Bellydance Superstars na fase Europeia.

Lua Samsara – professora de Flamenco árabe, dança indiana moderna e tribal no Studio de Dança Shaide Halim.

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Adufe

23 nov

O adufe é um instrumento português muito usado na região de Trás-os-Montes, Beira-Baixa e do Alentejo. Antigamente, foi usado e, provavelmente, foi criado pelos árabes e usado no Egito, Mesopotâmia, Roma e por civilizações pré-islâmicas.

Foi levado para a Península Ibérica na época de sua ocupação, por volta do século IX e X. Há uma tradição que permanece desde este perído até hoje de que é um instrumento tocado por mulheres.

Sua aparência é peculiar, embora seja considerado um pandeiro como o bendir ou daff. É quadrangular, com lados de 30 a 50 cm. A base de madeira é coberta por membranas de pele de cabra ou bexiga de porco.
Como trata-se de um bimembranofone, é comum usar uma pele de macho e outra de fêmea. Dizem que com esta combinação o resultado é uma sonoridade mais harmoniosa e limpa. Entre elas são colocadas sementes.
Você imagina como tocá-lo? Basta segurar com ambas as mãos, mantendo uma de suas arestas para cima. Uma mão fará o ritmo, enquanto a outra, cuidará de acompanhar. Que tal acompanhar a construção deste instrumento tão peculiar?

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O alaúde

20 jul

Um dos instrumentos mais tocados em solos de taksim é o alaúde, também chamado de oud. É uma espécie primo do violão e das violas, também é de cordas e possui uma caixa de ressonância de madeira (pinho) arredondada e em forma de gota ou pêra, e um braço, em geral, curto e com trastes. As cordas são duplas e de tripa torcida. Em geral, possui cinco cordas duplas – mais graves- e uma simples – mais aguda-, porém também existem modelos de até dez cordas. Pode ser tocado com batidas, mas nas músicas de dança é dedilhado. Costuma ter muitos detalhes, em especial, padrões geométricos em torno da boca da caixa e rosetas, ou rosas, e é afinado em lá ou sol.

A palavra alaúde possivelmente tem origem da palavra persa “rud”, que significa corda, e da palavra árabe “al’ud”, madeira. Existem registros de que o alaúde já era utilizado no século VII, na Pérsia, e em diversas regiões do mundo antigo, como no Egito, Grécia, Roma e China, entre outros.

O instrumento foi introduzido na Península Ibérica na época da ocupação moura, e recebeu o nome de “laud”, na Espanha, e “laude”, em Portugal. Porém, foi muito utilizado durante o Renascimento e voltou a ficar conhecido no século XIX, quando recebeu adaptações para assumir a forma que conhecemos hoje.

Leitura musical
O som é intenso, por isso, é facilmente relacionado aos tremidinhos relaxados e lentos. Nós podemos utilizá-los para enfatizar toda a tensão que sentimos das cordas na música e combinar com ondulações.

Você pode optar por alternar entre a melodia e os tremidos diversos que conhecemos, lembrando de marcar também a intensidade e, principalmente, as pausas do taksim. Os braços ficam bem leves, afinal este é o momento de servirem de adorno ao quadril.

Quando o alaúde aparece nas músicas, quase nunca há voz de cantor e é muito difícil encontrar bailarinas que façam boas leituras de solos de alaúde. Por isso, além de dominar os movimentos, a interpretação se torna fundamental para exprimir o que o taksim te transmite enquanto dança.

Nada de sorrisos escancarados: vá para introspecção. Desperte o sentimento dentro de você, se entregue à melodia e curta cada tom tocado por este instrumento lindo. Abaixo, selecionamos uma música para você treinar. Aumente o volume, coloque seu lenço de moedas e divirta-se!

*Faixa do CD Moroccan Bellydance, de Chalf Hassan. Faixa 10- Oud Improvisation.

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Derbake, tabla ou doumbek
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