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Música e voz: Macam

1 fev

Uma ideia fundamental do canto na música árabe é o macam, ou macamats (plural). Trata-se de uma célula musical, conhecida na música ocidental como um modo, que é um conjunto ordenado de intervalos de sons, também chamados de escalas musicais. Analogamente, à poesia, é a estrofe, formada pelos versos de um poema.

Afirma-se que existem cerca de 150 macamats, compostos por várias notas musicais diferentes ou pelas mesmas, com acentuações e durações variadas.

Nas músicas é comum a estrutura começar com um macam, passar para outros e repetir o primeiro para finalizar. Essas transições, porém, precisam ser bem feitas, para não pular de um macam para o outro de maneira brusca.

Arghul

28 set
Meninas, está cada vez mais difícil encontrar informações detalhadas sobre os instrumentos musicais usados na música árabe! Mas vamos lá! O arghul é um ancestral do clarinete de origem egípcia, primo do mijwiz.

Também é chamado de yarghul, argol, arghool, arghul ou ainda arghoul. Ufa! Tantos nomes no entanto representam um mesmo instrumento de sopro composto por dois tubos.

Um deles possui aproximadamente cinco a sete furos, enquanto o outro é usado para regular a afinação do instrumento. Este último pode ser bem mais longo do que o tubo anterior, responsável pela melodia, e pode chegar a ter dois metros!!

Tocar um arghul exige uma habilidade respiratória conhecida como circular. São muito tradicionais na música árabe, em especial nas músicas usadas na dança do ventre.

Existem em três diferentes tamanhos: o grande (arghul alkebir), o médio (arghul alsoghayr) e o pequeno (arghul alasghar). Quando identificá-lo, lembre-se dos passos indicados para serem explorados em outros instrumentos de sopro que você conhece e vá em frente. A melodia é muito semelhante e pede movimentos sinuosos com variações de velocidade.

Para este post, escolhemos um vídeo diferente, que descreve como um arghul é construído, desde o momento em que a madeira é cortada do pé. Divirta-se!

Souhair Zaki

23 set
Tahia Carioca e Samia Gamal já eram estrelas quando a pequena Souhair Zaki via as apresentações das suas grandes ídolas nas telas dos cinemas. Seu desejo, porém, não era bem aceito pela família, em especial pelo pai tradicionalista. 

Aos nove anos, esta menina nascida em 1944, na pequena cidade egípcia de Mansoura, mudou-se para Alexandria. Com essa idade, Souhair já tinha aprendido a dançar sozinha. Aos poucos, começou a dançar em festas de família e, após a morte do pai, seu padastro incentivou-a no meio artístico.

Contemporânea da graciosa Fifi Abdo, começou a dançar na casa Auberge. Dizem que existia uma grande rivalidade com Nagwa Fouad, principalmente porque ambas seguiam estilos muito diferentes. A bailarina Raqia Hassan afirma que “ela traduziu a música de forma precisa e natural, sem excessos ou exibicionismo. Seus passos têm resistido aos anos, e são ensinados até hoje.

Ela sempre foi autêntica apresentando-se e fingir nunca fez parte do seu estilo. Do mesmo jeito que a vê hoje, ao vivo, calma, tranqüila para conversar e educada, ela sempre foi assim em cena”.

O reconhecimento é mundial. No auge da carreira, foi a primeira bailarina a dançar músicas da reverenciada cantora Oum Khalthoum, que também será tema de post do Cadernos. Sua primeira apresentação ao som de uma música da grande cantora foi em um evento do qual participou. Algum tempo depois, dançou em uma festa e a própria Oum Khalthoum estava na plateia. Não suficiente, a ídola da música agradeceu e reverenciou a bela apresentação. A partir daí, a fama de Souhair não teve limites. Ela foi chamada por Mohammed Anwar Al Sadat, presidente do Egito, de “Oum Khalthoum da dança”. Bastante significativo, não?

Em geral, esta bailarina não recorria à ajuda dos coreógrafos para elaborar suas sequências e preferia fazer improvisações. Souhair gosta muito de usar batidas sequinhas de quadril, em especial seguidas por shimies, embora sejam sempre leves. Nas ondulações, prefere usar camelos com deslocamentos, com o detalhe de fazer um leve chutinho.

Repare que ela sempre usa emendas entre os seus passos, aproveitando o contratempo. Costuma fazer movimentos circulares com os punhos. Dançava tanto sobre o ritmo quanto na melodia. Durante sua carreira, participou de mais de 100 filmes, em geral, fazendo breves aparições.

Apesar de estar aposentada, ela aparece, pelo menos uma vez por ano, em algum grande evento de dança. Quando entrevistada e perguntada sobre as suas melhores memórias foi incisiva, e afirmou que eram todas da dança.

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