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Uma breve história do dabke

9 mar

Toda boa festa ou apresentação de dança do ventre também tem uma bela roda de dabke no final. Todos os bailarinos, convidados e quem mais estiver por perto será puxado para e irá literalmente “bater no chão com os pés” (tradução literal da palavra), afinal é um momento de extrema alegria e festividade. Homens, mulheres, crianças e idosos entram na dança, pois o dabke das festas não tem tabus ou preconceitos.

Quem já entrou numa roda dessas sabe o quanto pode ser divertido. E complicado! O dabke é dançado no Líbano, Síria, Palestina e Jordânia. Também existe em versão para palco, coreografada para grupos mistos ou de casal.

Tradicionalmente dançado em grupo de homens, formando rodas, meia-luas ou uma linha. As pessoas dançam de mãos dadas, com um detalhe: a sua mão direita sempre fica sobre a mão esquerda do companheiro ao lado. A roda é puxada pela ponta direita por um “líder”, que guia o grupo girando um lenço branco. Ele dá pulos, giros, se ajoelha e faz outros passos enquanto o grupo o acompanha com batidas muito fortes dos pés. Há uma base, mas a combinação e a varidade de sequências de passos são grandes, principalmente por que alguns são específicos para rodas e outros para palco.

Há uma marcação de ritmo (Said e Malfuf são os mais comuns) com passos para frente e para trás, pulinhos, chutes, saltos e agachamentos. Nada de marcações de quadril e ondulações de braços. A música é acompanhada por um derbake, nay ou mijwiz. As roupas tradicionais desta dança são as calças shieruel (ou cirwal) e as botas, para os homens. O visual é complementado por uma faixa vermelha na cintura, coletes e, na cabeça, um chapéu, faixa ou um pano conhecido como kefyeh ou kafieh. Enquanto isso, as mulheres usam vestidos fechados com um lenço no quadril, salto alto e um lenço na cabeça dá o charme.

Tudo isso teve origem nas aldeias do Líbano. Antigamente, o telhado das casas eram cobertos com plantas, galhos e lama. Na transição entre o outono e o inverno, a lama secava, começava a rachar. Para a reforma, eram chamados vizinhos que formavam uma fila, ficavam de mãos dadas e batiam os pés na lama para compactá-la novamente. Dizem que foi assim que surgiu o dabke. Depois, a dança se tornou um verdadeiro ritual e entrou para a tradição do país. Nos anos 60, passou a ser apresentado em eventos, apresentações e teatros.


Preparem-se, em breve mais posts sobre o dabke no Cadernos!
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Arghul

28 set
Meninas, está cada vez mais difícil encontrar informações detalhadas sobre os instrumentos musicais usados na música árabe! Mas vamos lá! O arghul é um ancestral do clarinete de origem egípcia, primo do mijwiz.

Também é chamado de yarghul, argol, arghool, arghul ou ainda arghoul. Ufa! Tantos nomes no entanto representam um mesmo instrumento de sopro composto por dois tubos.

Um deles possui aproximadamente cinco a sete furos, enquanto o outro é usado para regular a afinação do instrumento. Este último pode ser bem mais longo do que o tubo anterior, responsável pela melodia, e pode chegar a ter dois metros!!

Tocar um arghul exige uma habilidade respiratória conhecida como circular. São muito tradicionais na música árabe, em especial nas músicas usadas na dança do ventre.

Existem em três diferentes tamanhos: o grande (arghul alkebir), o médio (arghul alsoghayr) e o pequeno (arghul alasghar). Quando identificá-lo, lembre-se dos passos indicados para serem explorados em outros instrumentos de sopro que você conhece e vá em frente. A melodia é muito semelhante e pede movimentos sinuosos com variações de velocidade.

Para este post, escolhemos um vídeo diferente, que descreve como um arghul é construído, desde o momento em que a madeira é cortada do pé. Divirta-se!

Nay

14 set
Diversas flautas usadas nas músicas árabes, cada qual com uma característica própria. Aqui no Cadernos, já falamos da Kawala, do Mijwiz e do Mizmar.
Outro instrumento de sopro muito utilizado é o Nay, também chamado de Nai, Ney, Nye e Tuiduk di gagri.
É da família das flautas e, em persa, significa palheta.
Dizem que em algumas regiões, como na Turquia, este é o principal instrumento da música clássica e pode ser até o único de sopro.
Por isso, estima-se que seja bastante antigo. Há registros em desenhos egípcios que remontam ao século III a.C. . Também é usado em músicas populares, folclóricas e em rituais, como os dos povos sufis, desvishes.
É formado por um bastão com um furo para o polegar e outros seis para os outros dedos, lembrando uma flauta doce. Na ponta, uma boqueira, em geral feita com ossos de animais.
Pode ser feito com bambus, metal ou plástico. Existem nays de diversos tamanhos e cada um possui um nome especial. Na nossa pesquisa encontramos: olahenk, davut, sah, mansur, kizneyi, müstahsen e sipürde.

Assim como a Kawala, produz um som longo e lento. Por isso, se você identificá-lo em uma música, aproveite para explorar as suas melhores ondulações, variando a velocidade conforme o músico estiver tocando.

Lembre-se de que as ondulações podem partir do quadril, tronco e também dos braços e das mãos. Também é possível fazer dança de chão enquanto você ouve este som tão doce e, ao mesmo tempo, melancólico.

No vídeo abaixo, você pode ver um concerto com uma flauta nay, apresentado por Avi Adir, no auditório Byron. Aproveite para reparar como o timbre é bem diferente dos outros instrumentos de sopro que nós já estudamos. Neste outro vídeo, você conhecerá uma outra forma de tocar, mais linear e, portanto, com menos variações.

Dizem que o nay é como o corpo humano, ou seja, precisa ter um sopro que o faça manter a vida. Bonito, não?
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