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Lulu Sabongi

21 out

Lulu Sabongi é sinônimo de dança do ventre no Brasil, é praticamente impossível não ter ouvido falar no seu nome. Depois de mais de 25 anos de carreira, Lulu já lançou cerca de 40 vídeos tutoriais e de aprensentações nos quais explora técnica e exibe um pouco de seu estilo de dançar. No início, era conhecida como “a bailarina que dança com o coração”, bonito não?

Lulu Sabongi é paulistana, nasceu Luciana Uzunof, em 1966. Sua história na dança começou a ser escrita aos 17 anos, quado foi ver uma apresentação na casa de chá Khan el Khalili, que tinha apenas um ano. Na mesma época, começou a ter aulas com Sherahzad, bailarina armênia que ficou famosa no Brasil.

Casou-se com Jorge Sabongi, proprietário da casa de chá e com quem teve parcerias profissionais durante 20 anos. Juntos, transformaram-na em um centro de referência de dança do ventre, com apresentações diárias, produção de materiais exclusivos para estudo e, em 2000, criaram uma seleção de bailarinas, uma espécie de selo de qualidade.

Em 1997, Lulu passou a ministrar aulas por todo o país e, dois anos depois, saiu para o mundo em busca de aperfeiçoamento. Farida Fahmi e Mahamoud Reda, Souhair Zaki, Nagwa Fouad, Dina, Morroco, Raqia Hassan e outros grandes nomes foram seus professores. Consequentemente, recebeu oportunidades de trabalho e, em pouco tempo, seu passaporte já tinha passagens pela Alemanha, Argentina, Áustria, Canadá, Chile, Espanha, Estados Unidos, Islândia, México, Noruega, Japão, Portugal e, claro, Egito.

Lulu sempre foi estudiosa e procurava referências de nomes que você já conhece aqui do Cadernos, como Fifi Abdo, Naima Akef, Samia Gamal, Nadia Gamal e Tahia Carioca. Tudo isso nós podemos reconhecer em sua performance. Em uma entrevista, ela mesma conta como Farida Fahmi foi a primeira a dizer por onde ler a música.

Lulu não tem medo de ousar, veste roupas com cortes modernos, desde decotes até boás. Já usou desde o básico trio top-saia-cinturão até as roupas mais leves e com poucos bordados. Explora fusões, ao mesmo tempo em que elabora coreografias em homenagem aos nomes mais tradicionais da dança.

Atualmente dirige a escola Shangrilah House. Chega de falatório e vamos ao que interessa! Lulu faz movimentos bem pequenos, batidas suaves e tudo é bem compacto.  Adora usar pivôs em baixo e médio plano, fazer oitos laterais com quadril emendado com ganchos de perna. Ela raramente faz apresentações com acessórios modernos, como com fan ou pói, porém, usa e abusa do véu tradicional, com um domínio que poucos têm. Faz brincadeiras com o público e com os cabelos.

Para este post, selecionamos uma interpretação executada no espetáculo “Do Sonho à Realidade – uma viagem pelos sentidos”, da sua escola atual, em 2009. Também não deixe de ver a sua última apresentação na Khan el Khalili no YouTube.

Veja + Bailarinas aqui

Breve histórico da dança do ventre no Brasil

31 maio

Nós, alunas, nem sempre conhecemos o trajeto da dança em terras brasileiras. Por isso, nada melhor do que lembrar de alguns fatos e pessoas fundamentais para escrever esta história. A dança do ventre foi trazida para cá no final do século XIX pelos árabes, originários principalmente da Síria e do Líbano. A partir de 1950, uma nova leva de imigrantes veio para o Brasil, fugidos das guerras civis que assolavam seus países de origem. Muitos se concentraram em São Paulo, enquanto uma parte foi para a região Norte ou para a Sul.

Em meados dos anos 70, restaurantes frequentados principalmente por pessoas da colônia, como o Porta Aberta, Semíramis, Bier Maza, e o Clube Homs- todos em São Paulo- começaram a ter apresentações. Em geral, as bailarinas dançavam com um pequeno grupo de instrumentistas de alaúde, daff e derbake. Depois, o violino e o mejwiz (instrumento composto de duas flautas de bambu interligadas) foram adicionados às bandas que tocavam ao vivo.

Parte da repercussão da música árabe em terras brasileiras ocorreu com o grupo de Wadih Cury, pioneiro no uso do alaúde por aqui. Também colaboraram Fuad Haidamus, ágil no derbake e no daff, e Nabil Nagi, apesar de também tocar alaúde foi um dos primeiros a usar violinos nas canções tocadas aqui. Nesta época, eram as bailarinas Shahrazad (no vídeo acima), Samira Samia, Rita, Selma, Mileidy, Zeina e Zuleika Pinho, que acompanhavam os músicos nas apresentações. Suas biografias rendem boas notas aqui para o Cadernos de Dança…

Em 1982, Jorge Sabongi abriu a Khan El Khalili, que existe até hoje, no bairro da Aclimação, em São Paulo. Dois anos depois, a casa de chá já tinha apresentações e logo estava oferecendo aulas e materiais de estudo da dança, colaborando com a sua popularização. O principal destaque da casa foi a bailarina e professora Lulu Sabongi, uma das primeiras a produzir vídeos didáticos – fundamentais para todas nós, alunas e professoras, desenvolvermos nossas técnicas. Outra família que colaborou com a difusão da música e da dança foi a dos Mouzayek, que tocava nas apresentações, gravava músicas e levam, até hoje, a Casa Árabe, loja com artigos de dança no centro da capital paulista. Hoje, o principal destaque da família é o cantor Tony Mouzayek e banda, que faz sucesso no Brasil e no exterior.

Nos anos 90, a dança já estava bem difundida e surgiram cada vez mais escolas, como a rede de escolas Luxor e eventos como o Mercado Persa, criado por Samira Samia (aquela mesma que dançava nos restaurantes) e organizado por sua filha Shalimar Mattar, é visitado anualmente por aulas e professoras de diversos estados. Neste percurso, a dança passou por transformações e adaptações, adquirindo novas técnicas e estilos.

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