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Dohola

31 ago

O derbake, que já foi tema de post aqui do Cadernos, é um instrumento muito conhecido, seja pelo seu formato ou pelo uso em solos de percussão. Já a dohola (doholla) também possui a forma de um banquinho e, à primeira vista, é muito semelhante ao derbake. Mas não se engane com as aparências, pois apesar disso, é maior, mais larga e produz um som grave.

Em uma escala de tamanho, o derbake é o menor, seguido pelo sombati e pela dohola, maior de todos e com um bocal de circunferência maior. É justamente o tamanho do bocal que irá produzir um som mais grave. Em geral, é usada como base para os solos de percussão enquanto o derbake faz os floreios, tanto nas músicas libanesas quanto nas egípcias. Por isso, precisa ter um som bastante limpo.

Antigamente, era feita somente em argila revestida de pele de carneiros, cabras e peixes. São pesadas, o que dificulta o transporte. Como são feitas de peles de animais, precisam ter condições adequadas para manutenção da afinação. A estrutura em cerâmica colabora para a pureza do som, em especial, para a marcação dos DUMs. Por este motivo, são mais usadas em gravações de músicas do que nos espetáculos.

A dohola em alumínio e nylon, por sua vez, é mais recente e é comuns em shows, dado ao seu peso mais leve, à resistência e manutenção da afinação. A ressonância do som, porém, não é muito querido pelos músicos.

No Brasil, a dohola mais antiga foi criada por Fuad Haidamus em 1983. Na época, ele optou por confeccioná-la em argila e pele de cabrito, segundo o site do músico Vitor Abud Hiar.

Acesse o nosso canal do Youtube e conheça como é uma dohola mais tradicional. No vídeo abaixo, ouça o som de uma dohola sintética. Depois, acesse o post sobre o derbake e compare-os, para notar bem as diferenças. Você nunca mais vai confundi-los.


Veja + Instrumentos
Kawala
Arcodeon

Violino
Mijwiz
Kanoon
Alaúde
Derbake, tabla ou doumbek
Rababa
Mizmar
Snujs

Breve histórico da dança do ventre no Brasil

31 maio

Nós, alunas, nem sempre conhecemos o trajeto da dança em terras brasileiras. Por isso, nada melhor do que lembrar de alguns fatos e pessoas fundamentais para escrever esta história. A dança do ventre foi trazida para cá no final do século XIX pelos árabes, originários principalmente da Síria e do Líbano. A partir de 1950, uma nova leva de imigrantes veio para o Brasil, fugidos das guerras civis que assolavam seus países de origem. Muitos se concentraram em São Paulo, enquanto uma parte foi para a região Norte ou para a Sul.

Em meados dos anos 70, restaurantes frequentados principalmente por pessoas da colônia, como o Porta Aberta, Semíramis, Bier Maza, e o Clube Homs- todos em São Paulo- começaram a ter apresentações. Em geral, as bailarinas dançavam com um pequeno grupo de instrumentistas de alaúde, daff e derbake. Depois, o violino e o mejwiz (instrumento composto de duas flautas de bambu interligadas) foram adicionados às bandas que tocavam ao vivo.

Parte da repercussão da música árabe em terras brasileiras ocorreu com o grupo de Wadih Cury, pioneiro no uso do alaúde por aqui. Também colaboraram Fuad Haidamus, ágil no derbake e no daff, e Nabil Nagi, apesar de também tocar alaúde foi um dos primeiros a usar violinos nas canções tocadas aqui. Nesta época, eram as bailarinas Shahrazad (no vídeo acima), Samira Samia, Rita, Selma, Mileidy, Zeina e Zuleika Pinho, que acompanhavam os músicos nas apresentações. Suas biografias rendem boas notas aqui para o Cadernos de Dança…

Em 1982, Jorge Sabongi abriu a Khan El Khalili, que existe até hoje, no bairro da Aclimação, em São Paulo. Dois anos depois, a casa de chá já tinha apresentações e logo estava oferecendo aulas e materiais de estudo da dança, colaborando com a sua popularização. O principal destaque da casa foi a bailarina e professora Lulu Sabongi, uma das primeiras a produzir vídeos didáticos – fundamentais para todas nós, alunas e professoras, desenvolvermos nossas técnicas. Outra família que colaborou com a difusão da música e da dança foi a dos Mouzayek, que tocava nas apresentações, gravava músicas e levam, até hoje, a Casa Árabe, loja com artigos de dança no centro da capital paulista. Hoje, o principal destaque da família é o cantor Tony Mouzayek e banda, que faz sucesso no Brasil e no exterior.

Nos anos 90, a dança já estava bem difundida e surgiram cada vez mais escolas, como a rede de escolas Luxor e eventos como o Mercado Persa, criado por Samira Samia (aquela mesma que dançava nos restaurantes) e organizado por sua filha Shalimar Mattar, é visitado anualmente por aulas e professoras de diversos estados. Neste percurso, a dança passou por transformações e adaptações, adquirindo novas técnicas e estilos.

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