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A estrutura da música clássica na dança do ventre

1 dez

Uma boa bailarina, além de técnica e graciosidade, precisa ter conhecimentos profundos sobre ritmos e estrutura músical. Só assim ela é capaz sentir a música e traduzi-la com os movimentos e passos certos nos momentos adequados. Uma música clássica possui sempre uma estrutura modelo, que ajuda bailarinas a elaborar coreografias ou improvisar com a banda ao vivo, sem sofrer com sustos durante a apresentação.

1- O início é a apresentação da música e da banda. Não é a hora da bailarina entrar. É até possível, mas apenas fazendo uma ou outra graça. Isso porque a próxima deixa da música é justamente para a entrada triunfal da bailarina.

2- Esta é a hora em que a plateia faz o primeiro contato com a bailarina. Vai querer ver quem é, conhecer seu rosto, sua postura, a roupa. Assim, o ideal é explorar o espaço, se fazer ser vista por todos e, para isso, abusar de deslocamentos grandiosos, como caminhada simples, passeio no bosque e evitar explorar muita técnica.

“Quando a ORQUESTRA INTEIRA está a tocar, é esperado que a bailarina utilize uma área maior do palco e que crie grandes ondas de movimento, fazendo a sua coreografia parecer tão grande como o som da orquestra. Quando um solista está a tocar, a bailarina deve fazer o oposto.”*

3- Em seguida, a música vai fazer uma transição, portanto, a bailarina deve tentar se centralizar no espaço. É possível que o ritmo se altere, em geral, entra um saidi, maksoum ou baladi, por isso, agora sim é possível explorar técnica, em especial de quadril, e brincar com o público.

4- Há uma nova transição. O ritmo pode mudar novamente e dar espaço para um taqsim (solo instrumental) ou um derbake. Este é o momento da bailarina, ela é o destaque e deve chamar ainda mais atenção para a sua dança e para o que sabe fazer melhor.

Daqui para frente a música pode voltar para o momento 3, passar por um trecho floclórico ou seguir qualquer outra variação com a frase melódica de base. E, na finalização, retomar a fase 2, na qual a bailarina vai ocupar novamente o espaço, para se despedir do seu público. Pode até fazer as mesmas sequências que fez no início. Outra opção, por exemplo, retomar os passos e repeti-los sem o véu de entrada.

Este é um modelo geral, mas é claro que pode sofrer variações, de acordo com a música. Porém, estudando bem este padrão, a probabilidade de reconhecer esta estrutura em qualquer música clássica é grande.

Depois de toda essa aula teórica, vamos ver na prática como isso funciona? No vídeo abaixo, Mahaila El Helwa na 1ª Noite de Gala Árabe no Scala, Rio de Janeiro.

* Trechos do artigo do encarte do DVD ‘Rhythms of the Nile/Drumming 4 Belly Dancers’, de Hossam Ramzy.

Dança das flores

24 nov

Esta modalidade de dança do ventre está ligada à natureza. As camponesas egípcias realizavam a colheita durante a primavera e para comemorar a fartura e também aliviar o trabalho árduo, elas dançavam.

Na região da Arábia Saudita, é comum ter apresentações de dança nas quais as bailarinas distribuem flores ao público. As músicas geralmente são alegres e as bailarinas costumam dançar também em dias festivos.

A bailarina pode dançar com as flores na mão, mas é mais comum que utilize um cesto que pode ter tanto a flor inteira como somente as pétalas. Não existe uma roupa específica, porém, é costume usar uma saia mais rodada por causa dos movimentos que são feitos.

Você pode brincar com o cesto, assim como o jarro. Coloque-o no ombro, na cabeça, ao lado do quadril enquanto passeia pelo palco ou realiza movimentos ondulatórios ou batidinhas. Além disso, você pode fazer movimentos com a própria cesta como oitos com os braços. Não há idade para se dançar a dança das flores.

É um charme jogar algumas pétalas pelo caminho enquanto realiza deslocamentos e até mesmo entregar algumas flores para o público. Como é um folclore ligado à terra, costuma ser dançado com os pés no chão.

Tem algum vídeo dançando com flores? Mande o link pra gente!

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Jabelee

22 nov

Ritmo folclórico e original das montanhas do Líbano. É muito usado nos países de origem árabe, especialmente em festividades, dado que é um ritmo bem alegre. Também é muito comum encontrá-lo em rodas de Dabke. O jabalee, ou soudasi, também é conhecido como uma variante do Said.

 
Composição
A forma escrita do jabalee, que é um ritmo 4/4,  é grafada desta forma:

DUM DUM DUM TA DUM

Com a emenda, fica assim:

DUM DUM DUM TA DUM TAKA KATA DUM DUM DUM TA DUM

 
Características
É tocado por um grupo de pessoas que habitam as montanhas, conhecidas pelo mesmo nome do ritmo, em festividades regionais. Nestas músicas, há muitos instrumentos de sopro e percussão, para marcar bem o ritmo. Diz-se que um deles é uma espécie de bumbo, também usado nas danças gaúchas.

 

 

Como treinar
Este é um ritmo mais simples de tocar, pois é formado por muitos DUMS. Comece a tocar os snjus pela frase simples. Quando conseguir agilidade, coloque a emenda e treine a sequência. Treine o ritmo puro, com a ajuda de um CD.


Dicas de passos
Saiba que os passinhos usados com este ritmo estão muito mais próximos do folclore, em especial, do próprio dabke. Por isso, força nas pernas para fazer as sequências de batidas de pé, entre outros. Se souber alguns passos específicos além destes, deixe aqui nos comentários e complementamos o texto citado a fonte.

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