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Sombati

4 out
A palavra sombati não deve ser estranha para quem é leitor do Cadernos. Retomando, o sombati é um instrumento de percussão com tamanho intermediário entre o derbake e a dohola. Porém, a palavra também designa um ritmo musical e nós estamos aqui justamente para falar sobre ele.

Assim como outros ritmos, o Sombati é uma variação do Maksoum. Lembra-se dele, considerado o “pai de todos os ritmos”? Apenas relembrando então: a notação gráfica base do Maksoum é DUM TAK (pausa) TAK DUM TAK.


Composição
Tendo a referência do Maksoum é mais fácil compreender a formação do Sombati. Sua forma simples é escrita como DUM TATA DUM TA. Agora compare os dois ritmos e perceba que a diferença essencial está na pausa entre os dois TAKs. Isso significa que o Sombati assume uma forma um pouco mais acentuada do que o Maksoum quando tocado.


Características
Este é um ritmo de compasso de 4/4 e pode ter variações lentas ou rápidas. Em geral, nas versões lentas aparece em taqsims. O músico Vitor Abdu Hiar afirma em seu site que este ritmo representa o trote de um cavalo em marcha. É muito comum encontrá-lo em composições ocidentais, em especial em trilhas sonoras como a música tema do filme Lawrence da Arábia.


Como treinar
A dica, como sempre é começar pelo ritmo puro, que é simples. Ouça bastante faixas do ritmo e, aos poucos, comece a tocar os snujs pelos DUM e só depois insira os TAKs. Esta é, aliás, uma ótima maneira de treinar a passagem do DUM para o TAK.


Dicas de passos
A principal dica aqui para não cometer erros é lembrar das marcações comuns no Maksoum e ir pelo mesmo caminho, lembrando de fazer as adaptações necessárias para manter o ritmo Sombati. Repare que neste ritmo não há pausas.

Faixa do CD Jalilahs Raks Sharki Vol 4.

Veja + Ritmos aqui

Dohola

31 ago

O derbake, que já foi tema de post aqui do Cadernos, é um instrumento muito conhecido, seja pelo seu formato ou pelo uso em solos de percussão. Já a dohola (doholla) também possui a forma de um banquinho e, à primeira vista, é muito semelhante ao derbake. Mas não se engane com as aparências, pois apesar disso, é maior, mais larga e produz um som grave.

Em uma escala de tamanho, o derbake é o menor, seguido pelo sombati e pela dohola, maior de todos e com um bocal de circunferência maior. É justamente o tamanho do bocal que irá produzir um som mais grave. Em geral, é usada como base para os solos de percussão enquanto o derbake faz os floreios, tanto nas músicas libanesas quanto nas egípcias. Por isso, precisa ter um som bastante limpo.

Antigamente, era feita somente em argila revestida de pele de carneiros, cabras e peixes. São pesadas, o que dificulta o transporte. Como são feitas de peles de animais, precisam ter condições adequadas para manutenção da afinação. A estrutura em cerâmica colabora para a pureza do som, em especial, para a marcação dos DUMs. Por este motivo, são mais usadas em gravações de músicas do que nos espetáculos.

A dohola em alumínio e nylon, por sua vez, é mais recente e é comuns em shows, dado ao seu peso mais leve, à resistência e manutenção da afinação. A ressonância do som, porém, não é muito querido pelos músicos.

No Brasil, a dohola mais antiga foi criada por Fuad Haidamus em 1983. Na época, ele optou por confeccioná-la em argila e pele de cabrito, segundo o site do músico Vitor Abud Hiar.

Acesse o nosso canal do Youtube e conheça como é uma dohola mais tradicional. No vídeo abaixo, ouça o som de uma dohola sintética. Depois, acesse o post sobre o derbake e compare-os, para notar bem as diferenças. Você nunca mais vai confundi-los.


Veja + Instrumentos
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Derbake, tabla ou doumbek
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