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Odissi e dança do ventre

2 fev

No vídeo acima vemos a bailarina Nandini Ghosal dançando o odissi. O odissi é uma das sete danças clássicas indianas. Originário do leste da Índia, nasceu no templo de Mhari, no estado de Orissa, centro de arte e cultura. Neste templo garotos (isso mesmo, meninos) dançavam com trajes femininos.

O odissi é como a música clássica da dança do ventre. Possui fases. No caso da indiana, são seis.

A primeira é uma reverência à terra e à oração. A segunda é conhecida como Batunriya e é iniciada por um ritmo mais lendo que é acelerado gradualmente.

Depois vem as oferendas ao Senhor, com tomadas do sâncrito. Aí chega a fase Pallavi, onde os gestos típicos chamados de Hastaks aparecem de acordo com a música.

A próxima etapa é a expressão com os olhos. Depois o ritmo aumenta e atinge seu clímax chegando ao final da dança.

Sua principal característica é a dissociação corporal e sua função é equilibrar o masculino e o feminino através dos gestos usados nesta dança.

Cada passo e gesto possui uma técnica diferente que trabalha a coordenação motora completamente por trabalhar pés, olhos, pescoço,  braços e mãos separadamente.

Talvez seja por isto que foi fácil criar a fusão entre dança do ventre e odissi.

O odissi costuma ser apresentado sozinho, dificilmente vemos duplas ou grupos dançando. A não ser que ela apareça como uma fusão ou seja apresentado em grandes shows.

Veja uma apresentação dupla, que infelizmente não sabemos os nomes das bailarinas.

No vídeo abaixo, vemos duas Bellydance Superstars dançando esta fusão.

Os trajes são chamados de Sari. São feitos de seda com abertura para os braços . Costuma usar cintos de prata e muitos enfeites. Os cabelos são sempre presos em forma de nó e adornados com pérolas.

É importante ressaltar que a fusão deve ser harmoniosa. Combinar os elementos das duas danças e tentar evitar ficar com um estilo só. Claro que isso existe muito estudo.

Há outra fusão da dança do ventre com a dança indiana moderna que iremos abordar em outro post.

Gostaram desta fusão?

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Tribal

19 jan

Esta deve ser com certeza a fusão com dança do ventre mais conhecida. Nos últimos anos, ganhou ainda mais destaque com performances de bailarinas qualificadas como Rachel Brice, que assustam e encantam com uma técnica tão apurada. Porém, o tribal já passou por algumas transformações e assumiu novos ares desde a sua origem.

A palavra tribal está relacionada ao conceito de família, grupo ou comunidade. Refere-se a modalidade que reúne movimentos e conceitos presentes em danças da África, folclóricas orientais, além de flamenco, indiana e dança do ventre. Tudo isso é evidente nos trajes, passos e músicas.

As roupas carregam um pouco da ideia dos ciganos e povos nômades, incorporando aos tecidos acessórios literalmente garimpados por aí. Conchas, moedas, sementes, flores, bijuterias recicladas e franjas formam um mosaico que carrega também uma história de vida, memórias e, claro, o artesanal. A própria Rachel Brice comenta em entrevistas que costuma fazer suas próprias vestes.

Atualmente é possível encontrar bailarinas usando saias sem fendas ou calças largas. Cintos de moedas, cinturões de franja e xales são usados para complementar o quadril. Tops simples, blusinhas ou a combinação de ambos para a parte superior. Dizem, no entanto, que na origem eram usadas apenas galabias. Em geral, pulseiras, colares, braceletes, anéis, brincos e apetrechos para os cabelos sempre complementam o visual.

Falando nisso, você sabe quando se originou o tribal? Os primeiros registros são da década de 60, quando a bailarina norte-americana Jamila Salimpour (mãe da Souhaila Salimpour, que já esteve na nossa videoteca) fez uma viagem para regiões do Egito, Marrocos, Argélia e Líbia e incorporou a pesquisa ao seu grupo de dança Bal Anat, criado em 1968. Outra bailarina muito conhecida é Carolena Nericcio, que teve aulas com Masha Archer, pupila de Jamila. Ela e seu grupo Fat Chance Belly Dance incorporaram ao tribal técnicas do balé clássico e a improvisação coletiva. Na apresentação abaixo, repare os desenhos formados por este grupo e a disposição circular no palco.

E voltamos aqui a origem do termo tribal. Repare nas apresentações que é muito comum bailarinas dançarem em roda ou em meia-lua, quando em grupo. Desta forma, há contato visual entre elas e faz-se uma referência ao núcleo familiar e de comunidade.

Os movimentos são ondulatórios, sinuosidades que destacam o corpo

da mulher, em especial a região do ventre, como camelos, oitos e redondos. Também são comuns cambrês diversos, bem como braços e mãos milimetricamente trabalhados. A perfeita dissociação corporal aliás, é outra característica desta dança que explora pelve, abdômen, peitoral, braços, mãos e cabeças totalmente independentes, com paradinhas entre cada músculo nas versões mais modernas do tribal. Para isso, é necessário muito treino físico e mental.

Embalando toda essa tradição misturada a uma contemporaneidade está uma música com ritmos muito fortes e, por isso, com percussões e solos de derbake. Há desde melodias que lembram músicas folclóricas africanas, ciganas e até mesmo hip hop e remix. Aqui, porém, entramos em outros aspectos do tribal, que dariam origem para outro post…Aguarde!

Enquanto isso, assista aos vídeos indicados e conheça um pouco de Jill Parker, Jamila Salimpour e o grupo Fat Chance Belly Dance.

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Sadie

23 dez

Esta bailarina provou que que é possível emagrecer com a dança do ventre. Aos 14 anos era bem gordinha e procurou academias de ginástica e natação para eliminar os quilos a mais. Ela conseguiu, mas a famosa “barriguinha” permanecia ali.

Neste momento, Sadie fez a conhecida piada dizendo que deveria fazer dança do ventre já que possuía barriga. E começou a ter aulas no Colorado, Estados Unidos.

A paixão crescia em cada aula e a barriguinha foi diminuindo. Viajou diversas vezes para a Turquia, onde aprendeu a tocar derbake com Souhail Kaspar. Depois disso, Sadie não parou por aí. Quis aprender de tudo: desde o samba brasileiro, dança indiana dentre outras modalidades.

“Você tem que saber brincar com todos os músculos do seu corpo e trabalhá-los em cada movimento. Aos poucos você vai desenvolver totalmente a dissociação corporal. Eu treino como se tivesse tocando o ritmo com a minha barriga. Você pode começar a treinar deitada com a barriga para cima e brincar com a respiração, depois tente de lado e até mesmo em pé. O segredo é o treino”, disse a bailarina ao lançar um de seus inúmeros dvds sobre o trabalho do abdômen na dança do ventre.

Falando em dissociação corporal, Sadie já apareceu na nossa videoteca quando discutimos este tema.Veja aqui.

Seu estilo é único. Podemos até dizer que Sadie é a fusão de tudo. Ela assume que não segue as egípcias, mas confessa que o estudo destas bailarinas é muito importante.la afima que busca treinar a técnica e que o esitlo aparece por si só.

É impressionante assistir a alguns dos vídeos no youtube. Geralmente, Sadie opta por apresentar ao ritmo do derbake para mostrar toda a sua técnica. Dificilmente vemos um vídeo mais clássico. Mas encontramos ela dançando Zeina.

Para as amantes de derbake, eis o que o corpo humano é capaz de fazer.

Encerramos este post com a dica de Sadie para as iniciantes na dança do ventre:
Divirta-se e não tenha medo de rir de você mesma. A gente sempre se acha engraçada e até patética quando estamos aprendendo os primeiros movimentos. Não tenha medo de experimentar os passos e depois criar os seus. Apenas ligue a música e observe o que você é capaz de fazer”.

Quer mais vídeos dela? Clique aqui e confira.
Acesse o site desta bailarina (em inglês) e veja fotos, vídeos e entrevistas.

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