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Badia Masabni

10 fev

Ela já apareceu aqui no Cadernos diversas vezes, quase sempre é lembrada por sua casa de espetáculos. Mas afinal, ela é apenas uma proprietária de um estabelecimento? Como foi a sua vida até chegar lá? Seu nome é Badia Masabni, bailarina das antigas, nasceu no final do século XIX.

Infância e juventude
Sua história é bem diferente do conto de fadas que costuma ser a vida das bailarinas que conhecemos. Diz-se que aos sete anos ela sofreu um abuso sexual e o culpado, apesar de preso, logo estava de volta às ruas. Envergonhada, a família mudou-se para a Argentina, onde viveram até a adolescência de Badia. Foi a melhor época de sua vida, pois descobriu a paixão pela dança, atuação e canto.

Carreira
Voltou para a Síria, mas a carreira começou a andar mesmo no Cairo, com pequenos papeis que pegava. Em 1914, começou a trabalhar com Madame Jeanette, em Beirute, e lá aprendeu a dançar e a cantar em árabe. Em 1921, tornou-se a estrela do estúdio do diretor Nagib El Righany, com quem teve um relacionamento e ficou casada durante um período curto. O famoso Cassino Badia foi aberto em 1926. Ela teve problemas financeiros ao tentar investir em um filme e decidiu fazer uma turnê com o seu grupo. A jovem Tahia Carioca fez essa viagem. Depois de algum esforço e empréstimos abriu o Cassino Opera, em 1940.

Lançando estrelas
Até essa época, as apresentações de dança eram feitas em lugares pequenos e com a criação da casa, precisou de adaptação para palco e as bailarinas começaram a usar sapatos de salto. Neste época foram incorporados alguns movimentos do balé, como as caminhadas, arabesques e giros. A casa de Badia foi cenário para centenas de filmes. Lá ela também reconheceu e aflorou o talento de muitos músicos, cantores e meninas que viraram estrelas: Naima Akef, Nadia Gamal, Samia Gamal e Tahia Carioca.

Ela faleceu em 1975, no Líbano, suicidando-se após uma depressão profunda. Ficou muito querida no Egito, mas não é para menos, afinal ela realmente revolucionou diversos aspectos da dança e da música.

Outra inovação foi inserir nas orquestras árabes os instrumentos populares, misturando-os aos clássicos. Assim, violinos, alaúdes e outros passaram a acompanhar o derbake, riqq, daff entre outros. Como efeito, os ritmos alteraram-se levemente e as músicas começaram a ter taqsins, típicos da cultura turca. Acha que é só isso?

Sabe as ondulações de braço e a postura padrão de mantê-los na altura do tronco? Pois é, ideias de Badia. O uso do véu como um acessório também veio dessa época. Como a dança foi adaptada para palcos, era necessário incrementar a apresentação para quem estivesse mais longe.

Demais, né? No Youtube tem um vídeo com um resuminho da história dela e, de quebra, um pouco sobre ritmos.

Veja + Bailarinas aqui

Nadia Gamal

26 ago

Há vinte anos atrás o mundo se despediu de Nadia Gamal, eleita como representante oficial das danças árabes no mundo. O título veio do Festival Internacional de danças de Viena, em 1984. A bailarina egípcia faleceu em 1990, de um câncer. Sua estreia na dança aconteceu décadas antes e nos anos 50 e 60 já era considerada uma profissional brilhante.

Carreira
Nadia Gamal, filha de gregos e italianos, nasceu em Alexandria, em 1937, com o nome Maria Kardiadis. Ainda pequena, via sua mãe se apresentar na famosa casa Cassino Opera, de Badia Massabni. Aos poucos, começou a fazer apresentações solos de danças diversas. Dizem que sua primeira experiência oficial na dança do vetre foi em uma noite em que precisou substituir uma bailarina que ficou doente. O sucesso daí para frente andou de mãos dadas com ela.

Nos anos 60, mudou-se para o Líbano, país que considerava sua casa e não saiu de lá nem mesmo durante a guerra civil. Ela também seguiu os passos de outras colegas da dança e fez carreira no cinema em filmes como “Qalbi Yahwak” (1955), “Ahed El Hawa” (1955) e “Izzay Ansak” (1956).

Veja uma cena durante um casamento

Nadia teve aulas de balé clássico e moderno, jazz, coreografia e até piano. Passou por países como Alemanha Ocidental, Áustria, Canadá, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grécia, Itália, Portugal, Suíça, Turquia, Venezuela e, claro, Líbano e Egito. Foi a primeira bailarina oriental a participar do Festival de Baalbeck, no Líbano, em 1968.

Movimentos
Assistindo suas apresentações é possível notar como ela se desloca rapidamente e ocupa todo o espaço. Além disso, sua caracterísitca mais forte é a dramaticidade, que deve ter herdado da mãe, que participava de uma companhia de teatro, e da sua experiência como atriz. Shimmies e batidas muito intensas fazem parte dos movimentos mais usados por ela.

Não é à toa que bailarinas atuais como a Saida também fazem passos tão intensos e marcados. Nadia é quase sinônimo para aquilo que conhecemos como estilo libanês. Gostou da Nadia Gamal? Então procure o livro “Great spirits: portraits of life-changing world music artists”, de Randall Grass, e leia o capítulo especial sobre ela. Outra dica super bacana é visitar este multiply, com vídeos muito legais e que não são fáceis de encontrar no Youtube.

Acesse nosso canal no youtube e assista a outra apresentação de Nadia Gamal.

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