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Código de ética na dança do ventre

24 maio

Meninas, o post de hoje tem uma cara bem burocrática, mas vale a pena para retomar e discutir o código de ética na dança do ventre, importante para todos os envolvidos na área. Criado a partir de uma iniciativa da Shalimar Mattar, em colaboração com mais de 400 amadores e profissionais, aplica-se a todos que querem se envolver com esta manifestação cultural profissionalmente ou apenas como lazer.

O texto foi divulgado no 1° Simpósio de Dança do Ventre, realizado em São Paulo, em 2002. Apesar do conteúdo ser considerado óbvio para alguns, não é bem assim, não é mesmo? Se você nunca teve oportunidade de ler, aproveite. Se já leu, nada melhor do que reler e pensar se você e todos os que estão a sua volta realmente aplicam estes tópicos no dia a dia da dança. Podem parecer detalhes, mas são nessas pequenas coisas que a dança se mantém elegante, como diz o próprio texto, com profissionais qualificados para ensinar seus alunos da melhor forma possível.
Amantes da dança, uni-vos e façam o universo da dança ser cada vez mais agradável.
Código de ética dança do ventre

“A dança do ventre é uma expressão artística e, como tal, deve ser difundida. Cabe às profissionais da área zelar pelo seu conceito, mantendo assim, os padrões de elegância que a envolvem e não permitindo sua vulgarização. Para exercer suas funções com dignidade, as profissionais da área devem receber remuneração justa pelos serviços artísticos ou didáticos prestados. É considerada conduta antiética a prática de concorrência desleal com outras profissionais da área (bailarinas ou professoras).

Professoras

1. A professora tem a função de ensinar e orientar pacientemente, sempre zelando, em primeiro lugar, pela saúde e bem-estar de suas alunas, e respeitando as limitações de cada uma. A todas as professoras é dada orientação que seus currículos estejam à disposição das alunas.

2. É importante que a professora realize anualmente avaliações opcionais com suas alunas, as quais terão à disposição informações preciosas para a evolução de seu aprendizado.

3. A dedicação ao ensino deve ser direcionada para o conhecimento de suas alunas e não como instrumento de vaidade pessoal para a promoção da professora.

4. A professora deve exercer seu trabalho livre de toda e qualquer discriminação, motivando e respeitando suas alunas, independentemente de características físicas ou faixa etária, lembrando que esta é uma atividade que deve ser direcionada visando ao bem-estar e equilíbrio físico, mental e emocional. Portanto, não podem ser exigidos padrões estéticos que diferenciem ou discriminem qualquer uma delas.

5. Para aptidão ao magistério da dança do ventre considera-se satisfatório um período mínimo de 4 anos de estudos na área, com aperfeiçoamento em didática e conhecimentos de anatomia, cinesiologia e biomecânica que possibilitem segurança na realização de um trabalho corporal consciente. O tempo de estudo pode ser reconsiderado a partir de cursos realizados anteriormente, como balé clássico, educação física ou faculdade de dança.

6. A professora de dança do ventre deve buscar aprimoramento e atualização constantemente.7. A professora deve cumprir a programação e o cronograma de cursos oferecidos ou divulgados a suas alunas.8. Todas as alunas merecem igual atenção de sua professora, a qual não deve fazer qualquer distinção entre elas.

9. A professora deve ser especialmente honesta quanto aos seus conhecimentos, buscando respostas corretas para esclarecimento de suas alunas. Todas as informações pertinentes ao curso que se dispõe a ministrar devem ser transmitidas com clareza e honestidade, visando ao efetivo aprendizado de suas alunas. – Como a dança do ventre tem origens muito remotas e informações de difícil acesso, esta questão deve ser sempre esclarecida a priori, para se evitar a divulgação de histórias fictícias que resultem em prejuízo à sua imagem e evolução.

10. A professora não deve estimular competitividade negativa entre suas alunas ou com outros grupos.

11. A professora deve ter respeito e consideração com as demais profissionais da área, preservando um ambiente de relacionamento sadio que possa acrescentar ao desenvolvimento de todo o segmento, não utilizando a sala de aula como espaço para demonstrar rivalidades pessoais ou denegrir a imagem dos demais profissionais da área em prol de sua promoção.

12. São ainda consideradas atitudes antiéticas: Apresentar coreografias de outras profissionais sem prévia autorização, bem como omitir o nome da responsável por sua criação. Coibir a participação de alunas em workshops e cursos que possam acrescentar elementos ao desenvolvimento e aprendizado. Apresentar currículos com informações fictícias referentes ao aprendizado e experiência. Recomenda-se que, em se tratando de cursos e workshops, sempre se solicite certificado de participação.

Bailarinas

No Brasil, até a presente data, são consideradas bailarinas de dança do ventre todas aquelas que, possuindo o conhecimento e experiência necessários, prestem serviços artísticos profissionais (shows) mediante oneração.

1. Cabe à bailarina profissional cumprir todas as cláusulas acertadas em contrato para prestação de serviços artísticos junto ao seu contratante.

2. A bailarina profissional de dança do ventre deve zelar pela imagem moral da categoria que representa: mantendo relacionamento e de respeito e elegância junto ao seu público e contratante; e trajando-se de forma adequada aos padrões da categoria durante suas apresentações.

3. Faz parte da correta conduta ética entre bailarinas profissionais: Quando assistir à apresentação de outra bailarina e/ou alunas, dedicar o devido respeito e atenção. Quando estiver realizando apresentação em conjunto, ser solidária e direcionar o trabalho com espírito de equipe e união.

4. Ter consciência de que cada profissional possui um estilo próprio que a diferencia e, assim, saber apreciar a admirar, com a devida humildade, todas as variadas formas de se expressar a mesma arte.

5. Respeitar o local de trabalho de outras profissionais.

6. São consideradas atitudes antiéticas: Atravessar ou interferir em contato de trabalho de outra profissional estando ciente deste fato. Distribuir material de propaganda pessoal durante serviços contratados por meio de outra bailarina. Criticar o desempenho ou denegrir a imagem de outra profissional junto ao público, contratantes ou demais colegas da área. Transformar uma apresentação coletiva em disputa pessoal de vaidade, interferindo na qualidade do trabalho apresentado.

A forma como uma professora e bailarina se referem à sua (s) mestra (s) é um exemplo que será seguido por suas alunas amanhã. Quem não respeita seu mestre não valoriza a arte. Recomenda-se sempre avaliação médica antes do início das atividades, como em qualquer atividade física.

As responsáveis pela elaboração do Código de Ética esperam que a união, a humildade, a seriedade, o respeito e o amor sincero à arte estejam sempre acima de qualquer diferença pessoal. Que estes laços que nos aproximaram até aqui em favor do objetivo único de valorizar e organizar nossa arte, se fortifiquem a cada dia, alcançando todas as praticantes da dança do ventre no Brasil.”

Veja + Dicas aqui

Breve histórico da dança do ventre no Brasil

31 maio

Nós, alunas, nem sempre conhecemos o trajeto da dança em terras brasileiras. Por isso, nada melhor do que lembrar de alguns fatos e pessoas fundamentais para escrever esta história. A dança do ventre foi trazida para cá no final do século XIX pelos árabes, originários principalmente da Síria e do Líbano. A partir de 1950, uma nova leva de imigrantes veio para o Brasil, fugidos das guerras civis que assolavam seus países de origem. Muitos se concentraram em São Paulo, enquanto uma parte foi para a região Norte ou para a Sul.

Em meados dos anos 70, restaurantes frequentados principalmente por pessoas da colônia, como o Porta Aberta, Semíramis, Bier Maza, e o Clube Homs- todos em São Paulo- começaram a ter apresentações. Em geral, as bailarinas dançavam com um pequeno grupo de instrumentistas de alaúde, daff e derbake. Depois, o violino e o mejwiz (instrumento composto de duas flautas de bambu interligadas) foram adicionados às bandas que tocavam ao vivo.

Parte da repercussão da música árabe em terras brasileiras ocorreu com o grupo de Wadih Cury, pioneiro no uso do alaúde por aqui. Também colaboraram Fuad Haidamus, ágil no derbake e no daff, e Nabil Nagi, apesar de também tocar alaúde foi um dos primeiros a usar violinos nas canções tocadas aqui. Nesta época, eram as bailarinas Shahrazad (no vídeo acima), Samira Samia, Rita, Selma, Mileidy, Zeina e Zuleika Pinho, que acompanhavam os músicos nas apresentações. Suas biografias rendem boas notas aqui para o Cadernos de Dança…

Em 1982, Jorge Sabongi abriu a Khan El Khalili, que existe até hoje, no bairro da Aclimação, em São Paulo. Dois anos depois, a casa de chá já tinha apresentações e logo estava oferecendo aulas e materiais de estudo da dança, colaborando com a sua popularização. O principal destaque da casa foi a bailarina e professora Lulu Sabongi, uma das primeiras a produzir vídeos didáticos – fundamentais para todas nós, alunas e professoras, desenvolvermos nossas técnicas. Outra família que colaborou com a difusão da música e da dança foi a dos Mouzayek, que tocava nas apresentações, gravava músicas e levam, até hoje, a Casa Árabe, loja com artigos de dança no centro da capital paulista. Hoje, o principal destaque da família é o cantor Tony Mouzayek e banda, que faz sucesso no Brasil e no exterior.

Nos anos 90, a dança já estava bem difundida e surgiram cada vez mais escolas, como a rede de escolas Luxor e eventos como o Mercado Persa, criado por Samira Samia (aquela mesma que dançava nos restaurantes) e organizado por sua filha Shalimar Mattar, é visitado anualmente por aulas e professoras de diversos estados. Neste percurso, a dança passou por transformações e adaptações, adquirindo novas técnicas e estilos.

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