A dança do ventre como profissão

8 fev

Mocinhas, um assunto muito importante quando se fala em dança em geral, em especial, a dança do ventre é a questão da profissionalização. Para trazer o tema à tona, publicamos abaixo um artigo muito interessante para levantar a discussão. O que você, aluna e professora acha? Deixem seus comentários!

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Por que não se profissionalizar?

Tenho observado muito, durante todos estes anos em que estive envolvida em danças e em especial danças árabes, que existe uma resistência muito grande entre os “profissionais” da área em assumir legalmente sua profissão, ou seja, professor de dança ou dançarino.

Talvez essa resistência seja cultural, devido aos preconceitos sofridos dentro de uma sociedade excessivamente material, em que a arte não é reconhecida como uma profissão, mas apenas um passatempo ou terapia. Essa crença que vem nos perseguindo há séculos, faz parte do inconsciente coletivo no qual estamos imersos e de alguma forma está enraizada em nossas mentes.

Através da observação e várias experiências, consegui ampliar minha estreita visão e chegar a conclusão de que, enquanto dançarina e professora de dança, estive durante muito tempo me defendendo dos questionamentos da sociedade com relação ao sucesso material que essa carreira deveria trazer. Esse movimento me levou a autodefesa que me impelia atacar os poucos e frágeis meios duramente erguidos de tentativa de oficialização desta profissão.

Hoje consigo perceber que somos carentes de um sindicato mais atuante, de uma associação de classe, de oficialização da profissão, de educação profissional, de exercício de direitos e deveres, ou seja de cidadania.

Minha intenção não é criticar o que já foi conseguido a duras penas com o empenho de algumas pessoas, mas sim provocar em você, professor, dançarino, uma profunda reflexão livre de preconceitos, sobre por que não assumir legalmente esta profissão.

Se eu quiser reconhecimento legal do meu trabalho tenho que começar por me auto-reconhecer como profissional. Empenhar-me e investir para conseguir um diploma registrado em órgão competente, buscar inscrição em entidade de classe, e acima de tudo, pagar meus impostos referente a receita que obtive com minha profissão. Daí sim, com o peito aberto, vou preencher o campo “profissão” no formulário de abertura de crédito como: Instrutor de Dança, Bacharel em Dança, Dançarino Profissional.

Você leitor pode estar pensando neste momento: “Um diploma não quer dizer nada. Existem várias pessoas com diploma que na prática não são bons profissionais”. Eu concordo plenamente com você, porém, deixo a seguinte pergunta: “Você acha mesmo que todo engenheiro que sai da faculdade é um bom profissional”?

A questão não é o diploma ou o DRT, ou seja lá qual for a oficialização, a questão é: Se você é um professor ou dançarino que tem anos de estudo e ótimo desempenho, porque não oficializar sua profissão? Por que queremos viver de dança, mas “temos que fazer uma faculdade por conveniência”?

Hoje são inúmeros os dançarinos e professores de dança que temos no Brasil, dentre estes existem grandes profissionais que deram seu melhor para a elevação do padrão de qualidade, através da busca comprometida de informações, de viagens internacionais, de pesquisa, etc.. Temos que agradecer estes profissionais pela grande contribuição que nos trouxeram e continuar com esse processo de evolução, do qual não podemos fugir.

Pesquise os inúmeros benefícios que estas ações podem trazer para a sua carreira. Imagine sua vida daqui a 10 ou 15 anos. Auto eduque-se. Busque informações jurídicas, saiba mais sobre o exercício de cidadania.

Construa o seu legado, se perceba além de dançarino, faça a diferença! Um diploma sem talento não muda muita coisa. Um diploma com talento pode mudar uma sociedade!

** Escreveu este artigo: Fernanda Payão – Iniciou os estudos em dança árabe com a professora Sâmara, em 1998. Integrou o Grupo Souham de Dança do Ventre durante 7 anos. Desde 2001 é proprietária e professora do Shiva Nataraj Danças e Práticas. Dirige o Grupo Lakhi de DOC (Dança Oriental Contemporânea).

OBS. O artigo foi publicado na íntegra, com autorização da autora. O Cadernos de Dança não se reponsabiliza pelo conteúdo do mesmo, colaborando apenas para a divulgação de informações sobre a dança do ventre.

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2 Respostas to “A dança do ventre como profissão”

  1. Cristiane Gomes Riquelme abril 30, 2011 às 3:06 am #

    Sou professora de dança do ventre e cigana, apaixonada pela profissão, para mim a dança não é só expressão corporal…mas também a arte de viver.
    Admiro muito este artigo, felismente tenho amor, paixão, respeito e seriedade pela profissão.

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  1. Tweets that mention A dança do ventre como profissão « Cadernos de Dança -- Topsy.com - fevereiro 8, 2011

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